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quinta-feira , 22 outubro 2026
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Agro sustenta economia brasileira: setor cresce 2,8% e ganha força em meio à desaceleração do PIB

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Agropecuária avança no segundo trimestre enquanto indústria e serviços perdem ritmo; desempenho reforça importância do campo para a economia e amplia atenção sobre regiões produtoras como o Oeste da Bahia

O agronegócio brasileiro voltou a assumir papel estratégico no desempenho da economia nacional. A agropecuária cresceu 2,8% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 0,5% no período.

O resultado evidencia uma diferença importante entre os setores da economia. Enquanto a agropecuária avançou, os serviços registraram crescimento de apenas 0,2% e a indústria ficou praticamente estável, com alta de 0,1%. O desempenho ocorre em um ambiente marcado por crédito ainda caro, juros elevados e maior cautela nos investimentos.

Safra e pecuária impulsionam resultado

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o desempenho do campo é ainda mais expressivo. A atividade agropecuária registrou crescimento de 6,8%, beneficiada principalmente pela produção agrícola e pelo desempenho da pecuária.

Entre os destaques está a soja, principal produto agrícola brasileiro e cultura de grande importância econômica para estados produtores como a Bahia. Estimativas divulgadas para 2026 apontam uma produção brasileira próxima de 175 milhões de toneladas, em cenário de elevada oferta nacional.

O desempenho da agropecuária ganha relevância justamente porque outros componentes da economia apresentam sinais de perda de velocidade. Juros elevados aumentam o custo do financiamento, afetam investimentos e pressionam empresas e produtores que dependem de capital para máquinas, armazenagem, tecnologia e custeio.

Exportações reforçam força econômica do campo

Outro fator que ajuda a dimensionar a importância do agro está no comércio exterior. Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que as exportações brasileiras de soja alcançaram 82,9 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026, crescimento de 7,8% sobre igual período do ano anterior.

No milho, os embarques chegaram a 9,8 milhões de toneladas, avanço de 10,53%. Os portos do chamado Arco Norte responderam por 46,12% das exportações brasileiras de milho e 39,03% das vendas externas de soja no período, mostrando a transformação da infraestrutura utilizada pelo agronegócio brasileiro.

Bahia está no centro da nova geografia do agro

Para a Bahia, o cenário nacional tem importância especial. O Oeste baiano integra o Matopiba — fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — e concentra uma cadeia econômica ligada principalmente à soja, milho, algodão, pecuária, armazenagem, máquinas, fertilizantes, transporte e serviços especializados.

O avanço do agronegócio também vem modificando a dinâmica econômica do interior brasileiro. Municípios fortemente ligados à produção agrícola passaram a atrair investimentos, empresas, infraestrutura e mão de obra especializada, criando polos econômicos distantes dos tradicionais centros industriais do país.

Juros e custos continuam sendo desafio para o produtor

Apesar dos números positivos, o crescimento da produção não significa necessariamente aumento proporcional da rentabilidade dentro da porteira. O produtor rural continua enfrentando custos elevados de financiamento, fertilizantes, defensivos, máquinas, armazenamento e transporte.

Na Bahia, a logística permanece entre os principais pontos de atenção. Levantamento recente da Conab apontou redução de até 8% nos valores de algumas rotas de frete em julho frente a junho, mas determinadas rotas ainda apresentam custos superiores aos registrados no mesmo período de 2025.

O cenário deixa uma mensagem importante para a economia brasileira: mesmo diante da desaceleração de outros setores, o agronegócio segue funcionando como um dos principais motores de crescimento, geração de divisas e desenvolvimento do interior do país. Para a Bahia, que ocupa posição estratégica na produção nacional de grãos e fibras, o desafio será transformar ganhos de produtividade e produção em maior competitividade, infraestrutura e renda para toda a cadeia produtiva.

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