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segunda-feira , 7 setembro 2026
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Algodão da Bahia surpreende no campo e pode alcançar safra recorde com produtividade elevada

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Produção baiana de pluma pode chegar a 882 mil toneladas, alta de 10,6%, enquanto avanço da irrigação fortalece o agronegócio da Bahia

A cotonicultura baiana caminha para encerrar a safra 2025/26 com um dos melhores resultados de sua história. Levantamentos recentes apontam que a produção de algodão em pluma da Bahia pode alcançar 882 mil toneladas, crescimento estimado de 10,6% em relação à temporada anterior, sustentado principalmente pela elevada produtividade das lavouras e pela expansão das áreas irrigadas.

A projeção da Agroconsult considera aproximadamente 425 mil hectares cultivados no estado, entre áreas de sequeiro e irrigadas, com produtividade média estimada em 335 arrobas de algodão em caroço por hectare. As primeiras áreas avaliadas durante a colheita no Oeste baiano apresentaram elevado potencial produtivo, reforçando a expectativa de um resultado histórico para a cultura.

Irrigação muda patamar da produção baiana

Um dos fatores que ajudam a explicar o desempenho é a transformação do sistema produtivo no Oeste da Bahia. As áreas irrigadas já se aproximam de metade da superfície estadual destinada ao algodão, compensando a redução observada em algumas lavouras de sequeiro e diminuindo a exposição da produção às irregularidades das chuvas.

Dados da Aiba também confirmam a dimensão da cotonicultura regional. O boletim mais recente da entidade aponta 417 mil hectares de algodão no Cerrado baiano, avanço de 1,2% sobre o ciclo anterior. A estimativa da entidade considera produtividade de 332 arrobas por hectare e produção de aproximadamente 2,081 milhões de toneladas de algodão em caroço. As diferenças entre os levantamentos decorrem, entre outros fatores, das metodologias, datas de atualização e do produto considerado — algodão em caroço ou pluma.

Bahia fortalece posição entre gigantes do algodão brasileiro

O desempenho mantém a Bahia como segundo maior produtor brasileiro de algodão, atrás de Mato Grosso, e reforça o protagonismo do Nordeste na cultura. Estudo do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste, estima que a região deverá superar pela primeira vez 1 milhão de toneladas de algodão em pluma na safra 2025/26, resultado puxado principalmente pela produção baiana.

O resultado chama ainda mais atenção porque ocorre em uma temporada na qual a produção brasileira apresenta desempenho mais moderado. A Conab estimou, em agosto, produção nacional próxima de 4,1 milhões de toneladas de pluma, enquanto análises de mercado destacam a Bahia como uma das regiões com potencial de alcançar novo recorde.

Algodão baiano ganha espaço no mercado internacional

A força da produção também aparece fora das porteiras. O algodão produzido no Oeste baiano vem ampliando presença nos principais mercados têxteis internacionais. Entre as safras 2022/23 e 2025/26, o volume movimentado pelo Tecon Salvador saltou de 545 para 7.914 contêineres, crescimento superior a 1.350%. Bangladesh e China aparecem entre os principais destinos.

No mercado interno, a referência da Aiba para o algodão em pluma no Oeste da Bahia estava em R$ 145 por arroba em 1º de setembro, mostrando a importância de acompanhar não apenas a produtividade, mas também preços, câmbio e custos de produção na definição das margens dos cotonicultores.

Mercado mundial pode abrir nova oportunidade

O cenário internacional também merece atenção. A Agroconsult trabalha com possibilidade de um déficit mundial próximo de 600 mil toneladas de algodão entre agosto de 2026 e julho de 2027, diante de perspectivas de menor oferta em importantes produtores internacionais. Uma eventual redução da disponibilidade mundial pode ajudar a dar sustentação às cotações da fibra.

Os números definitivos da safra baiana, porém, ainda precisam ser confirmados após a conclusão da colheita. Os resultados consolidados da Etapa Algodão do Rally da Safra estão programados para apresentação em 22 de setembro, durante o Congresso Brasileiro do Algodão. Até lá, os indicadores disponíveis colocam a Bahia em posição de destaque: produtividade elevada, expansão da irrigação e possibilidade concreta de estabelecer um novo patamar para a produção estadual.

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