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Preços dos alimentos sobem no mundo e açúcar dispara 11,9% em agosto, aponta FAO

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Índice global chega a 133,3 pontos, maior patamar de 2026; açúcar lidera altas, enquanto cereais, carnes, lácteos e óleos vegetais também avançam

Os preços internacionais dos alimentos aceleraram em agosto de 2026, com aumento em todos os cinco grandes grupos de produtos acompanhados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Índice de Preços dos Alimentos da entidade alcançou 133,3 pontos, avanço de 1,9% em relação a julho, quando estava em 130,8 pontos.

O resultado também colocou o indicador 2,5% acima de agosto de 2025, quando registrava 130 pontos. Apesar da recente pressão altista, o índice permanece 16,8% abaixo do pico de 160,2 pontos alcançado em março de 2022, período marcado por forte turbulência nos mercados internacionais de commodities.

O principal destaque de agosto foi o açúcar. O índice da commodity saltou de 95 para 106,4 pontos em apenas um mês, uma valorização de 11,9%. Cereais e lácteos também apresentaram altas superiores a 2%.

Veja quanto os alimentos subiram em agosto

A tabela abaixo mostra a evolução de cada grupo entre julho e agosto de 2026, de acordo com os dados divulgados pela FAO:

Grupo de alimentosJulho/2026Agosto/2026Variação mensal
Índice geral de alimentos130,8133,3+1,9%
Açúcar95,0106,4+11,9%
Lácteos116,6119,2+2,3%
Cereais113,8116,3+2,2%
Carnes126,7127,9+1,0%
Óleos vegetais195,7196,9+0,6%

Fonte: FAO – Food Price Index, setembro de 2026.
Variações percentuais conforme divulgação da FAO.

Açúcar dispara quase 12% e clima preocupa mercado

O açúcar liderou com ampla margem a valorização dos alimentos em agosto. O avanço de 11,9% levou o índice da commodity ao maior patamar desde junho de 2025.

Segundo a FAO, o mercado passou a incorporar preocupações crescentes sobre a oferta mundial na safra 2026/27. O clima quente e seco reduziu as perspectivas para a produtividade da beterraba açucareira na União Europeia, enquanto condições relacionadas ao El Niño afetam as projeções de importantes produtores asiáticos.

O Brasil também está no centro das atenções. A menor produção de açúcar na principal região produtora do Centro-Sul contribuiu para a perspectiva de oferta global mais apertada. A decisão da Índia de isentar de impostos a importação de açúcar bruto adicionou pressão às cotações internacionais.

Cereais atingem maior nível desde maio de 2024

O Índice de Preços de Cereais chegou a 116,3 pontos, alta mensal de 2,2% e maior nível desde maio de 2024. O trigo avançou 2,6% no mês e passou a acumular valorização de 15% frente ao mesmo período do ano anterior.

No milho, o aumento mensal também foi expressivo, de 2,5%. Entre os fatores apontados estão as preocupações com a produtividade em partes do Cinturão do Milho dos Estados Unidos, os efeitos do calor e da seca sobre a produção da União Europeia e as incertezas envolvendo os fluxos de exportação da Ucrânia.

O movimento merece atenção do agronegócio brasileiro e da Bahia, principalmente em regiões produtoras como o Oeste baiano. Alterações nas cotações internacionais de milho, soja e seus derivados podem influenciar decisões de comercialização e as perspectivas econômicas da safra 2026/27.

Óleos vegetais chegam ao maior patamar desde 2022

Embora tenha apresentado uma alta mensal mais moderada, de 0,6%, o índice dos óleos vegetais alcançou 196,9 pontos, seu maior nível desde junho de 2022 e o terceiro avanço mensal consecutivo.

Óleo de palma e óleo de soja sustentaram o movimento. De acordo com a FAO, os preços do óleo de soja de origem sul-americana permaneceram firmes, favorecidos pela forte demanda de exportação.

A evolução chama atenção porque o índice de óleos vegetais já está acima da média anual registrada em 2022, quando ficou em 187,8 pontos.

Carnes sobem, mas bovinos seguem caminho contrário

O Índice de Preços da Carne chegou a 127,9 pontos, crescimento de 1% em relação a julho. Aves, suínos e ovinos ficaram mais caros, enquanto as cotações internacionais da carne bovina recuaram.

O Brasil aparece novamente entre os destaques. Os preços de exportação da carne de frango brasileira se recuperaram, apoiados pela forte demanda internacional.

Para a carne bovina, a dinâmica foi diferente. Segundo a FAO, com a alocação brasileira sob a cota de salvaguarda de importação da China próxima da utilização total, as exportações perderam ritmo diante da perspectiva de tarifas maiores sobre embarques adicionais. A maior concorrência por destinos alternativos contribuiu para pressionar os preços.

Histórico mostra preços novamente em trajetória de alta

O histórico da FAO ajuda a dimensionar o movimento atual. Depois do forte salto observado em 2021 e do recorde anual registrado em 2022, o índice recuou em 2023 e 2024. Em 2025, voltou a subir e, em agosto de 2026, alcançou 133,3 pontos.

Histórico do Índice de Preços dos Alimentos da FAO

AnoÍndice médio anualVariação sobre ano anterior
201994,9-0,9%
202098,1+3,4%
2021125,7+28,1%
2022144,5+15,0%
2023124,5-13,8%
2024122,0-2,0%
2025127,2+4,3%
2026*129,3+1,7%
Agosto/2026133,3+2,5% ante agosto/2025

Fonte: FAO – Food Price Index.
*2026 corresponde à média disponível no levantamento apresentado pela FAO até agosto e, portanto, não representa o resultado fechado do ano. Variações anuais calculadas a partir dos índices divulgados, com arredondamento.

O histórico revela que o nível atual ainda está abaixo da média anual recorde de 144,5 pontos registrada em 2022, mas a sequência recente sinaliza uma nova pressão sobre os mercados internacionais de alimentos.

O que a alta significa para o agronegócio brasileiro

Para o Brasil, um dos maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo, o cenário tem dois lados. Preços internacionais mais elevados podem favorecer as receitas de determinados produtos destinados à exportação, mas também podem elevar custos em cadeias dependentes de grãos, óleos e outras matérias-primas.

No agronegócio da Bahia, a atenção se volta especialmente para soja, milho, algodão e pecuária. O Oeste baiano possui forte integração com os mercados de commodities, fazendo com que mudanças no cenário internacional sejam relevantes para decisões de comercialização e planejamento da próxima safra.

A forte alta do açúcar, a valorização dos cereais e o nível elevado dos óleos vegetais mostram que clima, oferta mundial, demanda e tensões nos fluxos internacionais de comércio voltaram a exercer pressão conjunta sobre os alimentos. Os próximos boletins da FAO serão fundamentais para indicar se o movimento observado em agosto representa uma pressão temporária ou o início de um ciclo mais persistente de valorização.

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