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segunda-feira , 7 setembro 2026
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Mercado de máquinas agrícolas cobra novas políticas para destravar investimentos no campo

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Indústria aponta baixa rentabilidade e inadimplência dos produtores como principais obstáculos à renovação da frota, apesar de R$ 27,5 bilhões disponíveis em linhas de financiamento.

O próximo governo federal deverá enfrentar o desafio de criar mecanismos capazes de estimular a renovação do parque de máquinas agrícolas brasileiro. Mesmo com bilhões de reais disponíveis em linhas de crédito, a combinação entre margens menores no campo, endividamento e maior seletividade dos bancos vem limitando novos investimentos dos produtores rurais.

Crédito existe, mas acesso encontra obstáculos

De acordo com avaliação apresentada por Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Abimaq, o Plano Safra disponibiliza aproximadamente R$ 27,5 bilhões por meio de programas como Moderinfra, Moderfrota, Pronaf e fundos constitucionais. As taxas variam entre 5% e 12,5% ao ano. O volume corresponderia a cerca de 60% das vendas projetadas para o próximo ciclo.

O diagnóstico da indústria, porém, é de que o principal gargalo não está simplesmente na quantidade de recursos. A menor rentabilidade de parte dos agricultores e o aumento da inadimplência fizeram as instituições financeiras endurecerem critérios para concessão de crédito, afetando diretamente a capacidade de aquisição de tratores, colheitadeiras e implementos.

Reforma tributária pode reduzir custos

Outra expectativa da indústria está relacionada aos efeitos da reforma tributária. Segundo a avaliação apresentada pelo setor, a eliminação da cumulatividade de tributos e o melhor aproveitamento de créditos poderão reduzir custos industriais em até 7% em determinados segmentos, além de melhorar a competitividade das máquinas brasileiras no exterior.

Para regiões altamente mecanizadas, como o Oeste da Bahia, a discussão tem impacto direto sobre a competitividade agrícola. A renovação tecnológica da frota influencia produtividade, consumo de combustível, precisão das operações e eficiência na utilização de sementes, fertilizantes e defensivos.

Máquinas entram na agenda de descarbonização

A indústria também prepara novas tecnologias diante das exigências ambientais e da transição para uma agricultura de menor emissão de carbono. Entre as alternativas estudadas estão motores movidos a etanol, biodiesel, metano e sistemas elétricos alimentados por baterias. Protótipos com etanol aparecem entre as apostas para os próximos anos.

O desafio para o próximo ciclo político será, portanto, combinar financiamento acessível, recuperação da capacidade financeira dos produtores, modernização industrial e inovação tecnológica. Para o agronegócio brasileiro, o desempenho desse mercado será estratégico para sustentar novos ganhos de produtividade.

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