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quinta-feira , 22 outubro 2026
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Produtor reduz compra de fertilizantes e consumo no Brasil pode cair 8% em 2026

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Margens apertadas, endividamento e preços dos insumos levam agricultores a cortar custos; demanda deve recuar de 49,1 milhões para 45,1 milhões de toneladas.

O produtor brasileiro está reduzindo a compra de fertilizantes diante da combinação entre margens agrícolas pressionadas, endividamento e preços elevados dos insumos. O movimento poderá provocar uma queda relevante no consumo nacional em 2026 e aumentar a cautela no planejamento da safra 2026/27.

Segundo projeção do Rabobank, apresentada em relatório sobre o mercado mundial de fertilizantes, o consumo brasileiro deve alcançar 45,1 milhões de toneladas em 2026, contra o recorde de 49,1 milhões de toneladas em 2025. A redução projetada é de aproximadamente 8,1%.

Brasil depende fortemente das importações

A situação ganha importância porque aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados pelo agronegócio brasileiro são importados. A estimativa de consumo para 2026 já havia sido reduzida de 47 milhões para 45,1 milhões de toneladas e, segundo a análise, ainda existe possibilidade de nova revisão negativa.

Os números das importações mostram uma mudança importante no comportamento das compras. No primeiro semestre, as aquisições externas de MAP recuaram 24%, enquanto as de ureia caíram 31%. Por outro lado, as importações de TSP avançaram cerca de 40% e as de potássio aumentaram 6%. Considerado o conteúdo de P₂O₅, a redução dos fosfatados ficou próxima de 8%.

Produtor prioriza caixa

A tendência mostra que agricultores estão ajustando estratégias de adubação e escolhendo cuidadosamente onde concentrar recursos. O Rabobank estima que o processo de reorganização financeira dos produtores ainda poderá se estender por aproximadamente 18 meses.

Para polos agrícolas como o Oeste da Bahia, onde soja, milho e algodão demandam planejamento intensivo de fertilidade do solo, a relação de troca entre grãos e insumos continuará sendo um indicador decisivo para as compras da safra 2026/27.

Atraso da ureia pode gerar risco

O mercado internacional também permanece sujeito a volatilidade. Uma retomada das exportações chinesas de ureia poderia aumentar a disponibilidade mundial, enquanto tensões geopolíticas continuam trazendo incertezas para preços e oferta. O atraso nas compras brasileiras de ureia também é apontado como possível fator de risco para o milho segunda safra de 2027.

O comportamento dos fertilizantes nos próximos meses será decisivo não apenas para o custo de produção, mas também para as decisões de investimento dos agricultores brasileiros em um momento de maior disciplina financeira.

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