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sexta-feira , 24 abril 2026
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Café brasileiro na mira das tarifas de Trump: isenção à vista?

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O café ficou de fora da lista de exceções às tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre quase 700 produtos, mas analistas preveem que isso pode mudar em breve. Gil Barabacque, da Safras & Mercado, destaca que a ausência do café surpreendeu o mercado, já que o Brasil é o maior fornecedor de café verde para os Estados Unidos, representando cerca de 30% das importações. Ele argumenta que a tarifa prejudicaria principalmente os consumidores americanos, e uma substituição rápida por outros países seria inviável. Por isso, há expectativa de que o produto seja incluído na lista de isenções nas próximas semanas, trazendo alívio para o setor.

O mercado já reagiu à possibilidade de isenção, estabilizando os preços após uma volatilidade inicial na Bolsa de Nova York, principal referência para o café arábica. Barabacque explica que houve uma alta temporária devido à surpresa, mas agora prevalece o otimismo, com preços internos se mantendo estáveis e negociações em ritmo moderado. Compradores e vendedores aguardam um desfecho, enquanto o foco de médio prazo considera impactos negativos no consumo americano se a tarifa persistir.

Antes das tarifas, os preços do café já vinham caindo desde o fim do primeiro semestre de 2025, influenciados por condições climáticas. O analista atribui isso à melhora na oferta global, especialmente do robusta brasileiro, após a escassez causada pela seca de 2024. A nova safra brasileira, com chuvas menos escassas e um inverno menos rigoroso, contribuiu para essa tendência, embora a oferta de arábica ainda seja menor que no ano anterior, sustentando os preços em certo nível.

No longo prazo, Barabacque acredita que o clima terá mais peso no mercado de café do que as tarifas de Trump. Se mantidas, as tarifas alterariam fluxos comerciais, com os EUA buscando outras origens e o Brasil explorando novos mercados, afetando preços diferenciais. No entanto, o custo maior para os consumidores americanos e as expectativas com a safra brasileira de 2026, dependente de floradas e chuvas, devem influenciar mais o setor.

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