A Raízen, empresa controlada pela Cosan e pela Shell, está considerando um aumento de capital para lidar com sua dívida líquida que explodiu para R$ 49,2 bilhões, um crescimento de 56% em relação ao ano anterior. Essa medida surge após a companhia registrar um prejuízo de R$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre da safra 2025/26, e é vista como essencial pelos analistas para reduzir a alavancagem, que chegou a 4,5 vezes o Ebitda. O CFO Rafael Bergman confirmou conversas ativas com os controladores, destacando um plano com alto grau de confiança, embora detalhes ainda não estejam definidos.
A notícia impactou o mercado: as ações da Raízen despencaram mais de 13% na bolsa, liderando as quedas do Ibovespa, enquanto a Cosan recuou mais de 5%. Analistas do BTG Pactual, como Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, aprovam a capitalização, mas alertam que vendas de ativos e cortes em operações de trading, que já renderam quase R$ 3 bilhões no último ano, não bastam sozinhos. A companhia mantém seu guidance para moagem de cana, apostando em preços mais altos de açúcar e etanol para melhorar as receitas futuras.
Enquanto prepara o aporte, a Raízen continua desinvestindo em usinas menos sinérgicas, como as vendas recentes em Leme e a desativação da Santa Elisa. Bergman explicou que o foco é tornar o negócio de etanol, açúcar e bioenergia mais eficiente, sem necessidade de manter todas as 27 usinas para preservar relevância no mercado.