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sexta-feira , 6 março 2026
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Gaeco acusa empresário ligado ao PCC de dominar usinas de cana em esquema de fraudes fiscais

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O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) apresentou denúncia contra o empresário Mohamad Hussein Mourad, apontado como tendo relações com o PCC, por supostamente adquirir usinas de cana-de-açúcar em dificuldades financeiras para integrá-las a um esquema de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, Mourad utilizou fundos de investimento para ocultar sua participação nas aquisições, transformando essas empresas em peças centrais de operações ilícitas.

As usinas Itajobi e Carolo foram compradas por Mourad por meio de veículos como o FIDC Mabruk II, gerido pela Reag, e o Fiagro Participation. O Gaeco alega que essas aquisições envolviam compromissos de quitação de dívidas e indenizações, mas serviam para encobrir fraudes, incluindo sobrepreço na compra de cana-de-açúcar. Esse mecanismo, conforme a denúncia, inflava artificialmente os preços dos insumos para sonegar impostos e obter créditos indevidos, além de indicar movimentações financeiras sem lastro.

Indícios semelhantes apontam para o envolvimento de Mourad na Usina Rio Pardo e na Usina Furlan, localizadas na região de Catanduva (SP). Na Rio Pardo, pessoas ligadas ao empresário, como Henrique Dalkirane Filho e Jomar Maurício Fornielis das Chagas, passaram a integrar o quadro societário, e foram identificados sobrepreços em aquisições de cana a partir de 2022. Já a Furlan recebeu transferências significativas de empresas associadas a Mourad, como a distribuidora Duvale e a fintech BK, totalizando valores como R$ 3.667.000,00 e R$ 4.919.900,00, o que o Gaeco classifica como indicativo de lavagem de capitais.

Outras usinas, como a Comanche e a Goiás Bioenergia, também estão sob suspeita. A Comanche foi a principal destinatária de etanol das usinas Itajobi e Carolo, vendendo o produto para distribuidoras ligadas ao esquema. A Goiás Bioenergia, registrada como produtora de etanol, é descrita como uma empresa de fachada no nome de supostas laranjas: Maria Edenize Gomes e Ellen Bianca de Franca Santana Resende.

A denúncia revela ainda uma investida de Mourad para controlar as usinas do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), em recuperação judicial. Por meio do fundo Mabruk II, ele adquiriu créditos bancários da GVO, e utilizou o fundo Celebration para parcerias agrícolas, apropriando-se de propriedades em Catanduva e Itapira. Todas essas usinas passaram a se relacionar com distribuidoras de combustíveis e a fintech BK, facilitando o ecossistema de lavagem de dinheiro beneficiado pelo PCC, segundo o Gaeco.

Pessoas chave citadas na investigação incluem Walter Martins Ferreira III, Henrique Dalkirane Filho, Ramon Pessoa Dantas, Silvano Gersztel e João Carlos Falbo Mansur, sócio da gestora Reag, que administrou fundos de Mourad e foi alvo de buscas. O esquema explora a crise do setor sucroalcooleiro da década passada, quando muitas usinas entraram em recuperação judicial, facilitando aquisições dissimuladas.

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