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Pecuaristas apontam incerteza política como ameaça ao setor em ano eleitoral

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Um levantamento realizado pela HN AGRO, divulgado pelo consultor Hyberville Neto, revela que a pecuária brasileira enfrentará desafios significativos em 2026, com a reposição de rebanho liderando as preocupações dos produtores. A pesquisa, conduzida durante eventos em Marabá (PA), Araguaína (TO) e Imperatriz (MA), em novembro, consultou pecuaristas de diferentes perfis e destacou fatores externos como os mais impactantes para o setor.

A reposição foi citada por 53,6% dos entrevistados como o principal obstáculo, afetando inclusive produtores de cria e ciclo completo, que teoricamente não dependem de compras externas. Hyberville Neto explica que essa preocupação surge do aumento nos abates de fêmeas desde 2022, reduzindo a oferta de bezerros e elevando os custos, especialmente em sistemas de confinamento. A expectativa é de continuidade dessa tendência, com preços positivos para boi gordo e bezerro, mas com uma relação de troca desfavorável aos compradores.

Em segundo lugar, com 41,1% das menções, aparece a incerteza política, que ganha relevância em um ano de eleições presidenciais. O consultor ressalta que esse fator inclui volatilidade cambial, segurança jurídica e questões fiscais, podendo intensificar solavancos no mercado financeiro à medida que a campanha avança. Tais instabilidades afetam diretamente a competitividade da carne brasileira no exterior, dependente de um câmbio favorável para manter margens.

O cenário econômico, indicado por 28,6% dos participantes, ocupa o terceiro posto no ranking de preocupações. Influenciado por decisões governamentais e o ambiente global, ele pode interferir nas margens de lucro, na formação de preços e na capacidade de investimento nas propriedades. Hyberville Neto observa que, curiosamente, itens como preços de venda e custos de produção ficaram em posições inferiores, sinalizando que os produtores estão mais atentos a variáveis macroeconômicas do que a desafios internos de manejo.

Para 2026, o levantamento reforça a necessidade de planejamento estratégico no setor pecuário, com foco em gestão de custos e ferramentas de proteção financeira. Hyberville Neto conclui que a combinação de reposição escassa, instabilidade política e volatilidade econômica torna o ano decisivo, exigindo dos produtores atenção redobrada à conjuntura externa, especialmente ao mercado de bezerros, que deve permanecer como protagonista do ciclo pecuário.

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