Queda na qualidade das pastagens e possível esgotamento da cota chinesa aumentam oferta de animais e pressionam preços no Brasil
O mercado do boi gordo no Brasil encerrou a última semana sob forte pressão negativa, com recuos consistentes nos preços da arroba em diversas regiões produtoras. Segundo análise da consultoria Safras & Mercado, o cenário deve se intensificar ao longo de maio, com possibilidade de a arroba cair abaixo de R$ 350, especialmente na praça de referência de São Paulo.
Pastagens em queda aumentam oferta de animais
De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, o principal fator por trás desse movimento é a sazonalidade típica do segundo trimestre. Com a perda gradual da qualidade das pastagens, os pecuaristas enfrentam maior dificuldade para manter os animais no campo, o que eleva a oferta de bovinos para abate.
Esse aumento na disponibilidade de gado reduz o poder de barganha do produtor, favorecendo a indústria frigorífica, que já começa a testar preços mais baixos nas negociações. Além disso, escalas de abate mais confortáveis reforçam a pressão sobre as cotações.
China no radar: cota de importação preocupa
Outro fator relevante é o avanço no uso da cota chinesa de importação de carne bovina brasileira, atualmente fixada em 1,1 milhão de toneladas. A expectativa é de que esse volume seja esgotado entre junho e julho, o que pode resultar em tarifas mais elevadas para exportações excedentes.
Esse cenário tende a reduzir a competitividade da carne brasileira no mercado chinês — principal destino das exportações — e, consequentemente, impactar os preços internos do boi gordo.

Preços recuam nas principais praças
Os dados mais recentes mostram queda nas principais regiões pecuárias do país. Em São Paulo, a arroba recuou 1,7% na semana, sendo cotada a R$ 362,08. Em Goiás, a queda foi mais intensa, de 3,1%, com preço médio de R$ 344,64.
Outros estados também registraram retrações: Minas Gerais (-1,58%), Mato Grosso do Sul (-1,9%) e Mato Grosso (-0,31%). O movimento generalizado reforça a tendência de enfraquecimento do mercado no curto prazo.
Exportações ainda sustentam parte do mercado
Apesar do cenário interno pressionado, as exportações seguem em ritmo positivo. Até a metade de abril, o Brasil embarcou 153,3 mil toneladas de carne bovina, gerando receita de US$ 942,1 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Na comparação com abril de 2025, houve crescimento expressivo: alta de 29,2% no valor médio diário exportado, avanço de 5,8% no volume e valorização de 22,1% no preço médio da tonelada. Ainda assim, o possível esgotamento da cota chinesa pode limitar esse desempenho nos próximos meses.