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sexta-feira , 6 março 2026
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Especialista revela benefícios de misturar milho moído na silagem para aumentar energia no alimento do gado

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Misturar milho moído na silagem é uma prática que pode elevar a densidade energética da alimentação do gado, segundo o zootecnista Luís Kodel, consultor em pecuária. Essa abordagem é comum entre pecuaristas que buscam melhorar o desempenho dos animais, especialmente quando a silagem convencional, como a de milho planta inteira, capim BRS Capiaçu ou sorgo, apresenta teor limitado de grãos e amido. O milho moído, rico em amido, serve como fonte de energia de fácil fermentação, permitindo ganhos de peso mais rápidos ou manutenção do desempenho em períodos de escassez de pasto. Kodel afirma que é possível adicionar o milho durante o processo de ensilagem, independentemente do tipo de silagem base, visando enriquecer o alimento com carboidratos de alta qualidade.

Os benefícios incluem um ganho nutritivo significativo, com o amido do milho elevando o valor calórico do volumoso. Pesquisas indicam que silagens com maior teor de amido reduzem a necessidade de suplementos concentrados externos, fornecendo mais energia por quilo de alimento. Para bovinos de corte em terminação intensiva, isso resulta em ganhos de peso diários superiores, enquanto em vacas leiteiras de alta produção, favorece a fermentação ruminal e a síntese de proteína microbiana. Além disso, a fermentação no silo melhora a digestibilidade do amido, permitindo que os animais produzam mais carne ou leite com menor custo alimentar.

A proporção ideal de milho moído varia conforme a categoria do animal e os objetivos de produção, sem uma receita fixa. Para engorda rápida em confinamento, proporções maiores são indicadas, enquanto para rebanhos de manutenção, adições menores ou nenhuma podem bastar. Especialistas sugerem inclusões de 5% a 10% do peso da forragem, equivalendo a 45 a 90 kg por tonelada de silagem. Uma adição de 5% melhora silagens de capim de menor valor, e de 8% a 10% atende programas de acabamento intensivo. No entanto, excessos podem desequilibrar a mistura, aumentando riscos de acidose ruminal e problemas de fermentação.

Cuidados essenciais incluem planejar a mistura de acordo com as necessidades do rebanho, garantir umidade adequada reidratando o milho com cerca de 35 litros de água por 100 kg, e usar inoculantes para auxiliar a fermentação. A mistura deve ser homogênea, preferencialmente em camadas no silo, seguida de compactação rigorosa para expulsar o ar e vedação imediata com lona de qualidade. Após o enchimento, é recomendável aguardar pelo menos 21 dias de fermentação antes de abrir o silo, retirando a silagem de forma uniforme para manter a qualidade.

Em termos de custo-benefício, a prática vale a pena em sistemas intensivos, como confinamentos ou terminação a pasto, onde melhora a conversão alimentar e acelera o ciclo de engorda. Ela simplifica o manejo ao incorporar o milho ao volumoso, aproveitando preços baixos na safra para armazenamento seguro. Contudo, a viabilidade econômica depende de calcular o custo do milho versus os ganhos em desempenho; em cenários de preços altos, fornecer o milho separadamente pode ser mais sensato. Quando planejada com critério, a mistura eleva a produtividade e a rentabilidade da propriedade.

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