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sexta-feira , 24 abril 2026
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Preço da carne bovina atinge recorde histórico no Brasil com alta de quase 45% em dois anos

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Oferta restrita de gado e demanda externa aquecida impulsionam valorização no atacado e elevam custos ao consumidor


O mercado de carne bovina no Brasil vive um momento de forte valorização, com os preços no atacado atingindo níveis recordes históricos. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação entre a oferta limitada de animais prontos para abate e a demanda internacional aquecida tem sustentado a escalada das cotações.

Recorde histórico no atacado

Na parcial de abril de 2026, até o dia 20, a carcaça casada bovina — que inclui traseiro, dianteiro e ponta de agulha — apresentou valorização de 4%, sendo negociada a R$ 25,41 por quilo à vista no atacado da Grande São Paulo.

Em termos reais, considerando a deflação pelo IGP-DI de março de 2026, a média mensal atingiu R$ 25,05/kg. Esse valor representa o maior patamar da série histórica do Cepea, iniciada em 2001, consolidando um novo ciclo de alta no setor pecuário.

Alta expressiva em dois anos

O avanço dos preços chama atenção pela intensidade. Na comparação anual, a valorização é de 11% em relação a abril de 2025. Já no acumulado de dois anos, o salto chega a expressivos 44,8%, evidenciando uma forte pressão estrutural sobre o mercado da carne bovina no Brasil.

Esse movimento reflete não apenas fatores conjunturais, mas também ajustes na oferta pecuária, impactada por ciclos produtivos e custos elevados na atividade.

Oferta restrita sustenta preços

Um dos principais fatores por trás da alta é a menor disponibilidade de animais prontos para abate. A retenção de fêmeas para recomposição de rebanho, aliada à redução da oferta em períodos anteriores, contribui para enxugar a disponibilidade no mercado.

Com menos bois terminados disponíveis, frigoríficos enfrentam maior concorrência pela compra de animais, o que acaba elevando os preços ao longo de toda a cadeia produtiva.

Exportações aquecidas reforçam valorização

Além da oferta restrita, a demanda externa segue firme, com destaque para mercados como China e outros países asiáticos, que continuam absorvendo volumes relevantes da carne brasileira. Esse cenário reduz a disponibilidade interna e fortalece as cotações no mercado doméstico.

Impactos para o consumidor e o agro

A alta nos preços da carne bovina tende a impactar diretamente o consumidor final, pressionando os índices de inflação de alimentos. Ao mesmo tempo, o cenário favorece produtores que conseguem capturar margens mais elevadas, embora os custos de produção também sigam em patamares elevados.

O comportamento do mercado nos próximos meses dependerá do ritmo das exportações, da recomposição do rebanho e das condições de oferta no campo, fatores que seguem no radar dos agentes do agronegócio brasileiro.


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