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quarta-feira , 29 abril 2026
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Carne de coelho ainda enfrenta barreiras e segue pouco consumida no Brasil

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Produção limitada, preço elevado e fatores culturais impedem expansão da cunicultura no agronegócio brasileiro

Apesar de nutritiva, saborosa e considerada uma alternativa saudável às carnes tradicionais, a carne de coelho ainda ocupa um espaço tímido no agronegócio brasileiro. A produção restrita — com apenas três frigoríficos realizando o abate no país — e fatores culturais ajudam a explicar o baixo consumo, mesmo diante de uma demanda crescente.

Produção limitada trava expansão do mercado

Atualmente, apenas três frigoríficos operam no abate de coelhos no Brasil, sendo dois com autorização para comercialização nacional. Um dos principais players do setor, o frigorífico Coelho Real, relata demanda reprimida de cerca de 1.500 animais por mês. Ainda assim, o crescimento anual da produção gira entre 10% e 15%, indicando um mercado em expansão, porém ainda distante do potencial.

A oferta reduzida impacta diretamente no preço final. Em canais de venda online, o quilo da carne de coelho pode ultrapassar R$ 100, valor considerado elevado frente a proteínas mais populares como frango e carne bovina.

Fatores culturais e emocionais influenciam consumo

Além das limitações produtivas, o consumo da carne de coelho no Brasil esbarra em questões culturais. Segundo especialistas e produtores, muitos consumidores ainda associam o animal ao universo pet, o que gera resistência ao consumo.

Outro desafio é a falta de campanhas de marketing e de informação sobre os benefícios nutricionais da carne, que possui alto valor proteico e baixo teor de colesterol — características alinhadas às novas demandas por alimentação saudável.

Falta de dados e estrutura produtiva ainda artesanal

A ausência de dados atualizados também dificulta o avanço da cadeia. Os números mais recentes são do Censo Agropecuário de 2017, do IBGE, que registrou cerca de 200 mil cabeças de coelhos distribuídas em mais de 16 mil propriedades, com forte concentração na região Sul.

Pesquisadores apontam que a cunicultura no Brasil ainda opera de forma artesanal, muitas vezes como atividade complementar em propriedades rurais. Diferente de cadeias consolidadas como avicultura e suinocultura, o setor carece de padronização, escala e tecnologia.

Potencial econômico e diversificação da atividade

Apesar dos desafios, especialistas consideram a cunicultura uma atividade promissora. Além da carne, o coelho permite diversificação de renda com a comercialização de pele, esterco, genética e até o mercado pet — atualmente o principal motor econômico do setor.

Produtores destacam vantagens como ciclo reprodutivo rápido e alta eficiência na conversão alimentar. No entanto, a falta de integração com cooperativas e indústrias ainda limita a expansão da produção voltada ao abate.

Mercado pet lidera crescimento da cunicultura

Hoje, grande parte da atividade está voltada à venda de animais de estimação e melhoramento genético. Filhotes podem alcançar preços entre R$ 150 e R$ 500, enquanto reprodutores chegam a R$ 500, tornando esse segmento mais rentável que a produção de carne.

Segundo produtores, o cenário pode mudar caso haja maior organização da cadeia, investimento em marketing e inclusão da cunicultura nas estratégias de cooperativas agrícolas.



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