O preço das terras agrícolas no Brasil mais que dobrou nos últimos anos, refletindo o sucesso do agronegócio impulsionado por altas em commodities como soja, milho e café. De julho de 2019 a 2024, o valor médio por hectare para agricultura subiu 113%, de R$ 14.818,10 para R$ 31.609,87, segundo a Scot Consultoria, que analisou 17 estados chave. Para pastagens, o aumento foi de 116%, chegando a R$ 17.886,94. Regiões como Rondônia e o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) lideraram com valorizações de até 300%, graças a melhorias em infraestrutura logística e incentivos fiscais estaduais.
Especialistas como Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, destacam que a terra é um ativo estável, que raramente desvaloriza e costuma superar a inflação. No entanto, o futuro aponta para uma fase de estabilidade até 2029, sem quedas expressivas, mas com ritmo mais lento devido a margens operacionais apertadas, juros altos e riscos de inadimplência. Isso deve frear a busca por novas áreas, especialmente com crédito mais caro.
O perfil dos compradores mudou: agora incluem produtores rurais em busca de escala, investidores institucionais e empresas de outros setores protegendo capital da inflação. Daniel Meireles, da Acres, compara as negociações a fusões e aquisições, com análises de viabilidade e due diligence ambiental. Fatores como solo produtivo, água e localização influenciam o valor, mas varia por região.
Preocupações surgem com o acesso de pequenos e médios produtores, que enfrentam barreiras não só pelo preço, mas pela produtividade exigida. Mudanças climáticas e regulação ambiental, como o rigoroso Código Florestal, também afetam: áreas com passivos ambientais perdem valor, enquanto as com potencial para créditos de carbono ganham interesse. A valorização de pastagens está ligada a conversões para agricultura ou eucalipto, sem expansão sobre florestas nativas.