A assembleia extraordinária para votar a fusão entre a BRF e a Marfrig está marcada para esta terça-feira (5/8), na terceira convocação, com fortes indícios de aprovação. A publicação do boletim de voto à distância pela BRF revela que 43,8% das ações votaram a favor, enquanto 17,43% rejeitaram e 36,15% se abstiveram. Considerando apenas os votos válidos entre minoritários, a aprovação chega a 71,5%, representando 90% das ações fora do controle ou tesouraria. Isso garante que, mesmo com votos contrários na assembleia presencial, a operação deve prosseguir, unindo as gigantes do frango e do bife.
Desde o anúncio da fusão, a Marfrig elevou sua participação na BRF de 50,7% para 58,87%, reduzindo o free float no mercado. Oponentes como a Previ e o investidor Alex Fontana venderam suas ações e desistiram de ações judiciais, enquanto o fundo Latache questiona a concentração de mercado no Cade. As ADRs, que rejeitaram majoritariamente a fusão, refletem o encerramento do programa de depósitos de ações, já em declínio de 35% desde o anúncio.
No âmbito regulatório, a fusão foi aprovada pela Superintendência do Cade em rito sumário, mas enfrenta questionamentos da concorrente Minerva e do novo presidente do órgão, Gustavo de Lima, que assumiu em 14 de julho. Lima sugere análise em rito ordinário devido à complexidade e quer ouvir o fundo árabe Salic, acionista tanto da BRF quanto da Minerva, para avaliar conflitos de interesse. Apesar disso, fontes próximas às empresas afirmam que o debate processual não deve adiar a assembleia nem afetar a operação em si.
Após a aprovação esperada, inicia-se o período de 30 dias para direito de recesso dos acionistas, pavimentando o caminho para a criação da MBRF. O foco agora se volta para possíveis restrições à Salic, como limitações em conselhos sobre estratégias de carne bovina, embora o fundo atue de forma passiva.