O governo de Goiás, sob o comando do governador Ronaldo Caiado, lançou uma iniciativa pioneira para fomentar investimentos no estado, inspirada em modelos de São Paulo e Paraná. A estratégia envolve a criação de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) que utilizam créditos acumulados de ICMS como incentivo, permitindo que empresas acessem capital a custos abaixo da taxa Selic. Esses fundos serão direcionados a áreas prioritárias como agroindústrias, bioenergia, mineração – com foco na verticalização de minérios – e infraestrutura elétrica, visando ampliar o desenvolvimento econômico local.
Na prática, o mecanismo libera créditos retidos de ICMS para empresas exportadoras com projetos aprovados, por meio de uma carta de crédito que pode ser vendida a companhias com débitos fiscais. Os recursos obtidos vão para a cota subordinada do FIDC, remunerados à inflação, enquanto aportes privados compõem a cota sênior, com pelo menos 50% de subordinação. Atualmente, Goiás dispõe de R$ 314 milhões em créditos, concentrados em setores como proteínas animais, ferro e ligas, etanol e açúcar. A expectativa é captar mais R$ 300 milhões do mercado, totalizando cerca de R$ 600 milhões em investimentos, com juros limitados a 10% ao ano.
O interesse pela iniciativa é evidente, com a presença de líderes empresariais como Zé do Garrote, da São Salvador Alimentos, e Rodrigo Siqueira, da Jalles Machado, em evento na B3. Fundos já estão em estruturação, com previsão de oficialização em 60 a 90 dias. Gestoras como a XP, citada pelo presidente da FIEG, André Rocha, e o fundador da Zera.Ag, Octaciano Neto, estão envolvidas no processo, que não utiliza recursos do Tesouro estadual e deixa a escolha das gestoras para as empresas.