Em Goiás, a família Ragagnin transformou uma operação familiar em um exemplo de governança no agronegócio brasileiro. Há mais de duas décadas, eles enfrentaram desafios comuns, como a mistura de papéis entre parentes e sócios, mas implementaram uma estrutura robusta ainda nos anos 2000. Um erro contábil grave em 2006 motivou a busca por soluções, levando-os a se tornarem os primeiros clientes de uma consultoria em Goiás. Com reuniões semanais regulares e protocolos claros, o grupo expandiu de 2 mil hectares para 12,5 mil, incluindo confinamento de 3 mil animais por ano e produção de 9 mil litros de leite diário.
Essa história reflete um movimento maior no setor, onde a sucessão familiar é crucial para a perenidade dos negócios. Produtores como Joel Ragagnin destacam a importância da união, mas alertam para conflitos geracionais, como o relato de Eduarda Van Lieshout, que precisou do pai para impor autoridade sobre funcionários. Consultorias como a Safras&Cifras oferecem cursos para sucessores, agora planejando conteúdos para os patriarcas, impulsionados por bancos que exigem clareza em contratos para financiamentos longos.
Diferenças regionais marcam essa expansão: enquanto o Sul do Brasil e partes de Goiás estão mais organizadas, áreas no Norte, como Maranhão e Piauí, ainda lidam com estruturas “bagunçadas”. Em regiões como Balsas e Imperatriz, há mais maturidade, mas locais como Colinas e Codó precisam de regularização para atrair investimentos. Essa dinâmica segue a fronteira agrícola, com famílias comprando terras e dividindo patrimônio, exigindo visão estratégica para preservar legados.