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sexta-feira , 6 março 2026
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Mercado de soja em ebulição: como acenos diplomáticos e câmbio político agitam os preços globais

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O mercado internacional de soja registrou uma forte valorização na última semana, impulsionado por oscilações intensas na Bolsa de Chicago. As cotações acumularam ganhos expressivos, com exceção da quinta-feira (14), quando investidores optaram por realizar lucros após altas iniciais. Esse movimento reflete não apenas dinâmicas econômicas, mas também influências políticas, como o recente aceno diplomático no cenário norte-americano, que contribuiu para o otimismo nos contratos futuros.

De acordo com dados do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a estimativa de produção de soja no país foi reduzida em 1,16 milhão de toneladas. Essa revisão, aliada ao referido aceno diplomático, impulsionou os preços no mercado futuro. No Brasil, no entanto, o câmbio atuou como um fator limitador: o dólar encerrou a semana anterior em queda de 0,74%, cotado a R$ 5,40, abaixo da média do último ano, resultado de pressões internas e externas que afetam a competitividade das exportações brasileiras.

Em Chicago, o contrato de setembro de 2025 fechou a US$ 10,23 por bushel, com alta semanal de 5,79%, enquanto o contrato para março de 2026 terminou a US$ 10,76 por bushel, valorizando 5,28%. No mercado físico, prevaleceu um movimento de alta nas cotações, sustentado por estoques apertados e um esmagamento recorde de soja em julho nos Estados Unidos. Esses elementos destacam como políticas agrícolas e energéticas, especialmente relacionadas a biocombustíveis, moldam o cenário global.

Os estoques de óleo de soja nos Estados Unidos caíram ao menor nível em 21 anos, impulsionados pela crescente demanda por biodiesel e diesel renovável. Esse quadro de escassez reforça o movimento altista em Chicago e deve continuar influenciando as negociações nesta semana, com implicações para as relações comerciais internacionais. No Brasil, o real segue valorizado frente ao dólar, apoiado pelas taxas de juros elevadas, embora haja indícios de que esses ganhos possam perder força devido a fatores políticos domésticos e externos.

O início do plantio de soja no Brasil está próximo, com o fim do vazio sanitário em setembro no Centro-Oeste, dependendo de chuvas consistentes. Previsões meteorológicas indicam precipitações no horizonte, mas em volumes ainda insuficientes, o que pode atrasar as atividades e gerar nova volatilidade nas cotações globais, dada a importância da safra brasileira no abastecimento mundial.

Olhando adiante, o mercado de soja apresenta fundamentos positivos nos Estados Unidos, com estoques reduzidos e demanda aquecida por derivados. No entanto, o clima no Brasil será determinante nos próximos dias, e qualquer atraso no plantio pode ampliar a instabilidade, influenciada também por dinâmicas cambiais e políticas que conectam Washington a Brasília.

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