A nova safra de trigo no Sul do Brasil está gerando otimismo entre os produtores, apesar das preocupações iniciais com o clima. Com projeções de alta produtividade e boa qualidade dos grãos, a colheita pode representar um alívio para a economia rural da região. No Rio Grande do Sul e no Paraná, principais polos de cultivo, as lavouras superaram chuvas excessivas e geadas, mantendo um desenvolvimento satisfatório.
Fauro Rocha, produtor de Santa Bárbara do Sul (RS), relata que o início da safra foi marcado por chuvas intensas e pouca incidência de sol, o que retardou o crescimento das culturas. No entanto, as condições melhoraram com a chegada do frio e geadas que atingiram sensação térmica de -4°C. Segundo ele, essas geadas não danificaram o trigo, que estava em estágio inicial, e até impulsionaram o desenvolvimento. A canola, por outro lado, sofreu perdas na propriedade.
Atualmente, o trigo na lavoura de Rocha está na fase de alongamento, com expectativa de emissão de cachos nas próximas semanas. A colheita deve começar por volta de 20 de outubro, beneficiada por previsões de clima mais seco e chuvas abaixo da média. A produtividade estimada varia entre 50 e 70 sacas por hectare. Rocha destaca, porém, que a rentabilidade do trigo tem sido limitada nos últimos anos, com lucro em apenas 20% a 30% das safras, levando a uma redução na área plantada em favor de canola e pastagens.
No Rio Grande do Sul, a área cultivada com trigo é estimada em 1,2 milhão de hectares, com produtividade projetada de 2.997 quilos por hectare, de acordo com a Emater/RS. O boletim técnico indica que 82% das lavouras estão na fase vegetativa, 15% em floração e 3% em enchimento de grãos. Apesar de chuvas irregulares, especialmente no sul do estado, o vigor das plantas é satisfatório, com monitoramento contínuo de pragas e doenças fúngicas.
No Paraná, a produção deve atingir 2,6 milhões de toneladas, mesmo com uma área plantada reduzida para cerca de 820 mil hectares. A colheita já iniciou de forma lenta, com 2% da área colhida, concentrada no norte do estado. Carlos Hugo Godinho, do Departamento de Economia Rural (Deral), alerta para riscos de seca e calor extremo, que poderiam afetar o enchimento de grãos, similar ao ocorrido na safra anterior.
As condições das lavouras no Paraná são majoritariamente boas, com 83% em situação favorável. A qualidade dos grãos colhidos até agora é considerada positiva, o que deve garantir preços estáveis sem descontos. Godinho observa que, apesar da rentabilidade limitada do trigo, a safra atual pode viabilizar o cultivo na próxima temporada para produtores que buscam cobrir custos variáveis.
Em resumo, embora o trigo não seja a cultura mais rentável, o andamento positivo da safra no Sul do Brasil oferece perspectivas de estabilidade econômica para os produtores, mitigando impactos de adversidades climáticas e incentivando ajustes nas estratégias de plantio.