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sexta-feira , 6 março 2026
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Nova ferramenta promete prever geadas com até dez dias de antecedência para produtores rurais

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O setor agrícola brasileiro ganhou uma inovação para combater um dos maiores desafios dos produtores: as geadas. Durante o 7° Fórum Café e Clima, promovido pela Cooxupé, a maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, foi apresentada uma ferramenta capaz de prever geadas com até dez dias de antecedência. Segundo Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima, o sistema identifica riscos, intensidade e locais exatos de ocorrência.

A ferramenta foi testada durante as três grandes ondas de frio da temporada outono-inverno deste ano, alcançando 90% de assertividade. Disponível para clientes da consultoria em versão web e aplicativo móvel, ela representa um avanço em relação aos monitoramentos tradicionais. Entidades como o INMET e o INPE, no âmbito federal, e agências estaduais como a Epagri/Ciram em Santa Catarina, emitem alertas com apenas 24 a 48 horas de antecedência.

O diferencial da nova tecnologia está na análise de múltiplos dados meteorológicos. Santos explica que, além da massa de ar polar responsável pela queda de temperaturas, o modelo considera vento, umidade relativa do ar e do solo. Essa abordagem integrada permite uma previsão mais precisa e estendida, superando limitações dos métodos convencionais, incluindo aplicativos privados como o da Climatempo.

Com a proximidade da primavera, as chances de geadas diminuem, pois o fenômeno é mais comum no pico do inverno e na estação seca. No entanto, Santos alerta que entradas de ar polar ainda podem ocorrer em setembro e outubro, embora os modelos atuais não indiquem riscos imediatos.

Diante de um alerta, produtores podem adotar medidas protetivas, como explica André Dominghetti Ferreira, pesquisador da Embrapa Café. Sistemas de irrigação por aspersão, que lançam gotículas de água mais quente sobre as plantas, ajudam a evitar que o gelo se fixe. Outra opção é a geração de fumaça densa a partir de uma mistura de serragem, salitre, óleo e água, criando um cobertor térmico que ameniza a intensidade da geada, especialmente em vales.

Empresas também oferecem termonebulizadores para locação, reproduzindo o efeito da fumaça sem danos às plantas. Nenhuma medida é 100% efetiva, mas pode atenuar perdas em geadas brandas, conhecidas como “de capote”, que afetam apenas o terço superior das folhas.

Após uma geada, a recomendação é aguardar 20 a 30 dias para avaliar os danos, segundo Ferreira. Esse período permite que a planta emita novos ramos, guiando decisões como podas: recepa (corte drástico no tronco), esqueletamento (remoção de ramos laterais) ou decote (corte no topo). Em casos leves, pode não ser necessário intervir.

A espera pós-geada é desafiadora para produtores, que enfrentam ansiedade e impactos financeiros. Consultores lidam com o desgaste emocional, enfatizando a importância de ações baseadas em sinais da planta para estimular recuperação e minimizar prejuízos.

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