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sexta-feira , 6 março 2026
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Tarifas de Trump pressionam exportações brasileiras de café e agitam mercado global

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A sobretaxa imposta pelo governo de Donald Trump às exportações brasileiras tem gerado forte pressão no mercado de café, com volatilidade nos preços que reflete tensões comerciais entre os dois países. Nos últimos dias, o cenário começou a se alterar, especialmente nos contratos futuros, onde as perdas acumuladas em uma semana já somam quase 3%. Esse movimento é influenciado pela dinâmica das bolsas internacionais em Londres e Nova York, que respondem a fatos concretos e rumores do setor.

Haroldo Bonfá, diretor da Faros Consultoria, explica que as oscilações são parte inerente desse ambiente global. Ele destaca que, entre 1º e 25 de agosto, as exportações brasileiras de café para os Estados Unidos registraram uma queda de 47%. Essa redução é atribuída diretamente ao tarifaço americano, que impacta a precificação do produto e força o Brasil a buscar novos caminhos para escoar sua produção.

De acordo com Bonfá, o tarifaço afeta cerca de 7 a 8 milhões de sacas por ano que seriam destinadas aos EUA, exigindo alternativas como triangulações via Canadá ou México. Esses países já possuem histórico comercial com o Brasil e poderiam processar o café antes de sua chegada ao consumidor americano, mitigando parte dos efeitos das barreiras tarifárias.

O especialista aponta que o aumento de cerca de 50% no preço da matéria-prima tende a se refletir nos valores ao consumidor final nos Estados Unidos, o que pode pressionar a inflação local. No entanto, o consumo deve permanecer estável, pois o café é considerado um produto inelástico: variações de preço não reduzem a demanda, graças aos benefícios à saúde e ao bem-estar emocional que a bebida proporciona.

Bonfá orienta os produtores brasileiros a adotarem cautela na comercialização, mantendo consciência do volume colhido para que dure até a próxima safra. Muitos produtores estão capitalizados, o que diminui a urgência de vendas imediatas, e o ideal é dosar as operações: aproveitar boas oportunidades de preço para realizar parte das vendas e garantir rentabilidade, sem comprometer estoques.

Mesmo com a entrada de novas safras do Vietnã a partir de novembro e da Colômbia em dezembro, Bonfá acredita que isso não será suficiente para compensar as perdas brasileiras, especialmente no café arábica. A expectativa da maioria dos analistas é de preços elevados até a próxima safra no Brasil, mantendo o mercado em alerta diante das persistentes tensões comerciais.

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