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Brasil e Argentina avançam em negociações para evitar barreiras no comércio de carnes

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O ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, recebeu na quarta-feira (17) o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina, Sergio Iraeta, em uma reunião que abordou diversos temas de interesse comum na área agropecuária. O encontro destacou a importância de fortalecer as relações bilaterais, com foco em protocolos sanitários que possam garantir a continuidade do comércio mesmo em cenários de surtos de doenças.

Durante a discussão, Fávaro enfatizou o interesse brasileiro na adoção, pela Argentina, de um protocolo de regionalização para o comércio de carne de frango. Essa medida visa restringir barreiras sanitárias apenas às áreas afetadas por doenças como a de Newcastle ou a influenza aviária de alta patogenicidade, evitando paralisação total das exportações. O ministro descreveu o Brasil como “quase um continente” e pediu atenção especial ao tema para ajustar o protocolo.

Sergio Iraeta reconheceu a relevância do assunto e afirmou que se trata de um interesse mútuo. Ele destacou a necessidade de uma estratégia conjunta para lidar com a influenza aviária, um problema complexo que não deve se tornar um obstáculo ao comércio bilateral. Iraeta sugeriu que negociações em nível regional com países parceiros são fundamentais para manter o fluxo comercial.

Outro ponto abordado foi a busca por equilíbrio nas relações comerciais, com Fávaro mencionando que o Brasil é um grande importador de merluza argentina. Além disso, as partes discutiram a implementação bilateral do e-Phyto, um certificado fitossanitário eletrônico que agiliza e torna mais seguro o comércio de produtos vegetais, eliminando o uso de papel.

No âmbito do Mercosul, a delegação argentina apresentou uma proposta de flexibilização na comercialização de mosto de uva, atualmente restrita a recipientes de no mínimo 5 litros. A sugestão visa permitir vendas em recipientes menores, com foco no suco destinado à indústria não vinícola, e inclui mecanismos de controle e rastreabilidade para garantir o destino exclusivo do produto.

Foram debatidos ainda temas técnicos, como o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. As negociações incluíram a possibilidade de estabelecer equivalência de requisitos para agilizar o comércio de medicamentos veterinários e defensivos agrícolas.

Por fim, as partes consideraram a formalização de um acordo de equivalência para certificação de produtos orgânicos, o que permitiria o reconhecimento mútuo das normas e eliminaria a necessidade de dupla certificação, facilitando o comércio entre Brasil e Argentina.

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