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Buzkashi: o esporte brutal que une tradição e resistência política no Afeganistão

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Nas estepes da Ásia Central, o Buzkashi emerge como uma prática ancestral que combina habilidade equestre, força física e identidade cultural, sendo disputado há séculos por povos nômades. Reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Imaterial da Humanidade em 2012, o esporte, cujo nome significa “agarramento de cabra”, é o nacional do Afeganistão e simboliza a resiliência de comunidades como pachtuns, hazaras, tadjiques e uzbeques. Mais do que uma competição, ele reflete tradições coletivas que transcendem fronteiras, sendo praticado também no Tajiquistão, Uzbequistão, Quirguistão, Cazaquistão e Turcomenistão, além de comunidades quirguizes na Turquia.

No Buzkashi, cavaleiros montados em cavalos especialmente treinados disputam a posse de uma carcaça de cabra ou bezerro sem cabeça e patas, que funciona como uma “bola”. O objetivo é arrebatar o animal dos adversários e levá-lo até uma linha de meta ou ao “Círculo da Justiça”, um ponto específico no campo. A brutalidade é inerente: empurrões, golpes com chicotes e bloqueios intensos transformam o jogo em uma batalha de resistência, onde os jogadores, conhecidos como chapandaz, vestem roupas pesadas e capacetes para proteção.

Existem duas modalidades principais: Tudabarai, mais simples, em que basta agarrar e manter a posse da carcaça; e Qarajai, mais complexa, que exige atravessar uma bandeira ou marcador e arremessar o animal no círculo designado. Essas variações destacam a destreza necessária, com partidas que podem ocorrer em campos abertos ou estádios, especialmente no inverno, quando o clima favorece os cavalos. O esporte, conhecido por nomes como Kok-boru ou Ulak Tartysh em diferentes regiões, é uma das formas mais antigas de jogo coletivo na humanidade.

A dimensão política do Buzkashi fica evidente na história recente do Afeganistão. Durante o regime talibã de 1996 a 2001, o esporte foi proibido, mas com o retorno do grupo ao poder em 2021, foi novamente autorizado. Ghulam Sarwar Jalal, presidente da Federação Buzkashi, afirmou em entrevista à Al Jazeera que os talibãs reconhecem o valor cultural do jogo, pois “deixa as pessoas felizes”, permitindo sua continuidade como forma de coesão social em meio a instabilidades.

O Buzkashi transcendeu fronteiras culturais, ganhando visibilidade internacional por meio da mídia. No filme Rambo III, o personagem de Sylvester Stallone participa de uma partida, enquanto o curta-metragem Buzkashi Boys, de 2012, foi indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live Action em 2013, destacando sua essência caótica e apaixonante.

Adaptações modernas buscam preservar o esporte em um contexto contemporâneo, com regras oficiais criadas no século XXI para limitar a duração das partidas, definir áreas de jogo e estabelecer critérios de segurança. Em festivais e celebrações, multidões se reúnem para assistir, reforçando sua relevância como manifestação viva de resistência cultural e pertencimento, mesmo diante de transformações políticas e sociais.

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