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sexta-feira , 6 março 2026
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Tuberculose bovina: uma ameaça à saúde pública e ao agronegócio brasileiro

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A tuberculose bovina, causada pela bactéria Mycobacterium bovis, representa uma perda anual de cerca de US$ 3 bilhões na pecuária de corte mundial. No Brasil, a doença afeta entre 0,16% e 9% dos rebanhos, com maior prevalência em sistemas de produção leiteira intensiva, onde a densidade populacional de animais é elevada. Segundo o diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Marcelo de Andrade Mota, boas práticas de manejo são essenciais para reduzir os riscos de propagação.

Estudos realizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, pela Universidade de São Paulo (USP) e por agências estaduais de vigilância agropecuária identificaram fatores que favorecem a disseminação da doença, como a aquisição e o trânsito de animais não testados, o manejo inadequado de grandes rebanhos e a falta de cuidados na ordenha de vacas leiteiras, seja manual ou mecanizada. Essas práticas inadequadas contribuem para perdas econômicas significativas, incluindo queda na produção leiteira, emagrecimento progressivo dos animais, eliminação de indivíduos diagnosticados positivos e condenações de carcaças em abatedouros.

Nos animais, a infecção pode causar lesões granulomatosas em diversos órgãos, levando a sintomas como tosse persistente, febre à tarde, sudorese noturna, emagrecimento e falta de apetite. Em casos graves, quando o sistema nervoso é afetado, podem surgir sintomas neurológicos. Como zoonose, a tuberculose bovina é transmitida aos humanos por contato direto com animais infectados ou pelo consumo de carne, leite e derivados sem inspeção sanitária adequada, diferentemente da tuberculose humana, que é causada por M. tuberculosis e afeta principalmente os pulmões.

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) enfatiza que o consumo responsável e o cumprimento das normas sanitárias pelos produtores são fundamentais para proteger a saúde pública, preservar a competitividade do agronegócio e manter a imagem internacional do Brasil como fornecedor de alimentos seguros. O controle da doença é gerenciado pelo Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), coordenado pelo Mapa, que inclui testagem de animais, abate sanitário de positivos e certificação de propriedades livres da doença.

De acordo com Patricia Santana Ferreira, diretora de Comunicação da Delegacia do Anffa Sindical no Distrito Federal e chefe da Divisão de Controle da Brucelose e da Tuberculose Animal do Mapa, o programa estabelece medidas como testagem obrigatória para trânsito interestadual de animais destinados à reprodução ou aglomerações, eliminação supervisionada de reagentes positivos, vigilância epidemiológica e saneamento obrigatório. Ela destaca a importância de exames negativos antes da introdução de novos animais ao rebanho, testagem periódica e evitar o consumo de produtos sem inspeção oficial.

O pesquisador da Embrapa Flabio Ribeiro de Araújo alerta que a comercialização e o consumo direto de leite cru são proibidos no Brasil devido ao risco de transmissão da bactéria. Ele refuta o mito de que o leite cru seria mais nutritivo ou “forte” que o pasteurizado, afirmando que não há comprovação científica para isso e que o consumo pode trazer graves consequências à saúde. A pasteurização elimina efetivamente o M. bovis e outros microrganismos perigosos, embora o leite cru possa ser usado em queijos artesanais com maturação mínima, sob normas higiênico-sanitárias específicas.

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