O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (30) a imposição de novas tarifas sobre produtos de madeira e mobiliário importados. A medida inclui uma taxa de 10% para madeira e toras, além de 25% para armários de cozinha, pias de banheiro e móveis estofados. Essas tarifas entram em vigor a partir de 14 de outubro, com aumentos previstos para o futuro em casos específicos.
A partir de 1º de janeiro de 2026, os percentuais serão elevados para 30% no caso de móveis estofados e para 50% em armários e gabinetes, aplicáveis a países que não firmarem acordos comerciais com Washington. Essa escalada visa proteger a indústria local, segundo o governo americano, e reflete uma estratégia de longo prazo para fortalecer o setor.
Trump justificou a decisão com base na Seção 232 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas por razões de segurança nacional. De acordo com a proclamação presidencial, as importações estão enfraquecendo a indústria norte-americana de madeira e mobiliário, considerada estratégica para a defesa e infraestrutura crítica. O documento destaca o uso da madeira em construções militares, transporte de munições, armazenamento de equipamentos e sistemas de defesa antimísseis.
O Canadá, principal exportador de madeira serrada para os Estados Unidos, é o país mais impactado pelas novas medidas. O setor canadense já lida com tarifas antidumping e antisubsídio que chegam a 35%. Em resposta, o governo canadense anunciou um pacote de apoio de até 1,2 bilhão de dólares canadenses, equivalente a cerca de US$ 870 milhões, para auxiliar a indústria local.
Outros parceiros comerciais, como México e Vietnã, também sentirão os efeitos. Esses países ganharam espaço no mercado americano após as tarifas impostas contra a China em 2018. O Vietnã havia negociado um acordo preliminar para uma tarifa de 20%, mas o pacto ainda não foi formalizado, gerando incerteza sobre sua aplicação.
Alguns países obtiveram exceções parciais nas tarifas. O Reino Unido enfrentará uma taxa limitada a 10%, enquanto a União Europeia e o Japão terão uma alíquota de 15%, graças a acordos bilaterais já estabelecidos com os Estados Unidos.
A Câmara de Comércio dos EUA criticou as restrições, argumentando que elas elevarão custos para empresas e o setor de construção civil, além de reduzir a competitividade em indústrias como papel e celulose. A entidade questionou a justificativa de segurança nacional, afirmando que as importações de madeira não representam risco real ao país, e alertou para prejuízos em comunidades americanas dependentes da indústria florestal.