O mercado de trigo no Sul do Brasil registra pouca movimentação, com preços em declínio devido ao avanço da colheita e à demanda industrial fraca. De acordo com a TF Agroeconômica, os valores se mantêm estáveis no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, mas apresentam uma tendência de leve recuo no Paraná, onde a colheita já supera 60% do total esperado.
No Rio Grande do Sul, o mercado futuro opera de forma lateralizada, com negócios pontuais registrados a R$ 1.150,00 por tonelada, posto moinho, embora os vendedores demonstrem pouco interesse. Moinhos projetam preços próximos de R$ 1.100,00 para novembro, coincidente com a entrada do estado na nova safra, que apresenta a menor venda antecipada dos últimos anos, totalizando apenas 130 mil toneladas contra 300 mil em 2024. Os preços pagos ao produtor, conhecidos como “na pedra”, variam entre R$ 62,00 e R$ 64,00 por saca, dependendo da região.
Em Santa Catarina, os moinhos continuam a se abastecer principalmente no Rio Grande do Sul e no Paraná, o que mantém o mercado local praticamente travado. Alguns produtores tentam negociar o trigo novo a R$ 1.250,00 FOB, mas sem confirmação de negócios. Os preços pagos aos triticultores caíram para R$ 62,00 em Chapecó e R$ 65,00 em Canoinhas, com pequenas variações em outras praças do estado.
No Paraná, o aumento do volume colhido exerce pressão adicional sobre as cotações. Os últimos negócios foram fechados entre R$ 1.200 e R$ 1.250 CIF, mas os moinhos indicam valores de R$ 1.150 para novembro, com expectativa de manutenção até janeiro. O preço médio pago ao produtor registrou uma queda de 2,04% na semana, atingindo R$ 66,62 por saca.
No âmbito externo, as negociações permanecem paradas após recentes notícias da Argentina, com trigo paraguaio sendo ofertado a US$ 240 por tonelada e compradores propondo US$ 230 no Oeste do estado. Essa dinâmica reflete um cenário de cautela no comércio internacional, influenciando indiretamente o mercado interno brasileiro.