O diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, avaliou positivamente o encontro online realizado na última segunda-feira (6) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump. Durante a conversa, Trump afirmou que os Estados Unidos estão sentindo falta do café brasileiro, o que, segundo Matos, evidencia os impactos negativos da taxação de 50% imposta sobre produtos brasileiros na economia norte-americana.
Matos destacou a importância do café brasileiro no mercado dos EUA, onde o produto é líder no abastecimento e essencial na composição dos blends consumidos. Ele mencionou que cerca de 75% dos americanos consomem café, com uma média de três xícaras por dia, tornando os Estados Unidos o maior consumidor mundial. O café brasileiro representa aproximadamente 35% desse mercado, e sua ausência tem gerado tensões nos preços globais.
De acordo com o diretor do Cecafé, a imposição da tarifa resultou em fortes altas nos preços. Na Bolsa de Nova York, o café estava cotado a 284 centavos de dólar por libra-peso quando a ordem executiva foi formalizada, e agora atinge 390 centavos, um aumento superior a 40%. Essa elevação reflete o impacto da falta do produto brasileiro no mercado internacional.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos se tornaram praticamente inviáveis com a tarifa de 50%, levando a reduções significativas: 46% em agosto e 56% em setembro. Esse declínio afetou diretamente o consumidor americano, com a inflação do café nos EUA sendo nove vezes superior à média geral em agosto, e o mesmo padrão se repetindo no mês atual.
Matos expressou otimismo com as perspectivas abertas pelo encontro, pois o café se enquadra nos requisitos para isenção de taxação, conforme regras definidas pelo governo norte-americano em 5 de setembro, que reconhece o produto como natural e não disponível nos EUA. Ele comparou a situação a uma nova partida de xadrez, com potencial para acordos bilaterais.
O executivo enfatizou o papel fundamental do setor privado no avanço das negociações, apoiando o setor público para formalizar a isenção das tarifas. Embora haja imprevisibilidade e componentes políticos, Matos se mostrou esperançoso, mas cauteloso, quanto ao futuro das exportações de café brasileiro para os Estados Unidos.