Os exportadores de café do Brasil estimam que levará pelo menos seis meses para compensar os embarques perdidos para os Estados Unidos devido às tarifas impostas anteriormente. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), cerca de 1 milhão de sacas deixaram de ser enviadas ao mercado americano desde agosto, após a implementação de tarifas que chegaram a 50%.
Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, destacou que entre agosto e outubro, os embarques para os EUA caíram 51,5%, totalizando 983,97 mil sacas. Essa queda foi atribuída diretamente às tarifas, que afetaram a competitividade do café brasileiro no mercado norte-americano.
Na quinta-feira (20/11), a Casa Branca anunciou a retirada da tarifa de 40% sobre as importações de café verde do Brasil, seguindo a remoção de uma tarifa de 10% no dia 14. A administração Trump foi responsável por essas medidas, e o anúncio resultou em uma queda de 1,91% nos preços do café arábica na bolsa de Nova York na sexta-feira (21/11).
O impacto das tarifas pôde ser visto nos estoques certificados de café arábica brasileiro na bolsa de Nova York, que caíram para 19.951 sacas na sexta-feira (21), uma redução de 96% em comparação com o ano anterior, quando havia 477.306 sacas. Os estoques totais de café arábica na bolsa diminuíram 55%, para 402.069 sacas. Considerando apenas o período das tarifas, houve uma queda de 87% nos estoques brasileiros e de 46% nos totais.
Ferreira explicou que as indústrias torrefadoras nos EUA usaram estoques existentes de café brasileiro enquanto aguardavam uma resolução, mas eventualmente recorreram a outras origens devido à escassez. Com a remoção das tarifas, espera-se uma retomada rápida dos contratos em aberto, embora problemas logísticos no Brasil, como a competição por espaço nos navios com outras commodities agrícolas colhidas no verão, impeçam uma recuperação imediata.
O gargalo logístico deve limitar os embarques adicionais a 400 mil a 500 mil sacas por mês, prolongando a normalização até pelo menos seis meses ou até o fim da safra em junho de 2026. A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) não forneceu um prazo específico para a recuperação dos embarques de cafés especiais, que caíram cerca de 55% de agosto a outubro, de 412 mil sacas em 2024 para 190 mil sacas.
A BSCA celebrou a retirada das tarifas, atribuindo o sucesso aos esforços conjuntos da cadeia produtiva brasileira, incluindo associações como a ABIC, ABICS, CNA, Cecafé e CNC, além do governo federal do Brasil. A entidade destacou que a medida corrige distorções no comércio bilateral.