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sexta-feira , 6 março 2026
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Pressão no mercado de açúcar contrasta com valorização do etanol no fim da safra

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As cotações dos principais derivados da cana-de-açúcar mantêm a tendência observada nas últimas semanas, com o açúcar enfrentando pressão nos preços enquanto o etanol registra valorização firme, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O mercado de açúcar avança lentamente para o encerramento da safra 2025/26, com os preços médios do cristal branco na faixa de R$ 106,00 por saca de 50 quilos. Nesta segunda-feira (24/11), o indicador Cepea/Esalq registrou a cotação de R$ 106,12 a saca, representando uma queda de 6,63% desde o início de novembro. No começo da atual safra 2025/26, a média nominal do indicador estava em R$ 141,36 a saca, destacando a depreciação significativa ao longo do período.

Pesquisadores do Cepea apontam que, apesar da oferta ainda elevada no mercado à vista, o que pressiona os valores para baixo, fatores como a menor qualidade da cana e o redirecionamento crescente da produção para o etanol indicam uma possível restrição na oferta futura de açúcar. Essa dinâmica reflete ajustes estratégicos no setor sucroalcooleiro brasileiro, influenciados por condições climáticas e demandas de mercado.

No cenário internacional, a China tem se posicionado como um importante comprador de açúcar brasileiro, aproveitando os preços mais baixos. Os contratos futuros do demerara operam nas mínimas em cinco anos na Bolsa de Nova York, o que reforça a atratividade das exportações brasileiras e contribui para o escoamento da produção nacional, mesmo em um contexto de pressão interna.

Em contrapartida, os preços dos etanóis anidro e hidratado seguem firmes no estado de São Paulo há mais de um mês. De 17 a 21 de novembro, o indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado fechou em R$ 2,8554 o litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), com alta de 1,13% em relação ao período anterior. Para o anidro, a cotação foi de R$ 3,2434 o litro, registrando elevação de 1,05% no mesmo comparativo, sustentada pela postura firme dos vendedores.

De acordo com os pesquisadores do Cepea, o suporte aos preços do etanol vem principalmente da baixa oferta de produto e da proximidade do fim da safra 2025/26. Embora a semana passada tenha iniciado com menor movimento em São Paulo, o ritmo foi mais intenso em Mato Grosso do Sul. As chuvas em algumas regiões paulistas limitaram a oferta, fortalecendo os valores, enquanto os compradores demonstram menor interesse, possivelmente devido a aquisições maiores realizadas em semanas anteriores.

Essa divergência entre açúcar e etanol destaca as nuances do mercado de cana-de-açúcar, com implicações para produtores e distribuidores à medida que a safra se aproxima do fim. O redirecionamento para o etanol pode sinalizar uma estratégia de mitigação de perdas no açúcar, influenciada por fatores globais e locais.

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