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sexta-feira , 6 março 2026
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China impõe cotas e tarifas sobre importação de carne bovina, afetando exportações brasileiras

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Rebanho de gado bovino em pastagem no Brasil, ilustrando impacto de cotas e tarifas chinesas nas exportações de carne.

No dia 31 de dezembro de 2025, o governo chinês anunciou medidas de salvaguarda para a importação de carne bovina, impondo cotas específicas por país e tarifas adicionais para volumes excedentes. Essas restrições, que entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026, afetam principalmente o Brasil, principal exportador para o mercado chinês. O anúncio foi feito pelo Ministério do Comércio da China (Mofcom) e terá validade de três anos, até 31 de dezembro de 2028.

Detalhes das cotas e tarifas

As cotas estabelecidas são de 1,106 milhão de toneladas para 2026, 1,128 milhão para 2027 e 1,154 milhão para 2028. Dentro dessas cotas, aplica-se uma tarifa de 12%. Para volumes que ultrapassarem os limites, incide uma sobretaxa adicional de 55%, resultando em uma tarifa total de 67%.

O Ministério do Comércio chinês comunicou essas medidas por meio de um anúncio oficial, visando regular o fluxo de importações. O Brasil, como maior fornecedor, sentirá o impacto diretamente em suas exportações de carne bovina.

Impactos nas exportações brasileiras

Em 2025, as importações chinesas de carne bovina brasileira totalizaram cerca de 1,7 milhão de toneladas, representando 48,3% do volume exportado pelo Brasil. Com as novas cotas, os exportadores brasileiros precisarão ajustar suas estratégias para evitar prejuízos. Produtores e exportadores no Brasil já preveem a necessidade de reorganizar fluxos de produção e exportação.

A China continua sendo o principal destino da carne bovina brasileira, essencial para o funcionamento da pecuária nacional. As exportações para esse mercado envolvem produtos com valor agregado, distintos do consumo doméstico, e geram emprego e renda no setor.

Reações das associações brasileiras

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) emitiram uma nota conjunta sobre as medidas. Elas destacam que as restrições alteram as condições de acesso ao mercado chinês e impõem a necessidade de ajustes em toda a cadeia produtiva.

“Altera as condições de acesso ao mercado” e “impõe necessidade de reorganização dos fluxos de produção e de exportação”.

“Em 2025, as importações chinesas de carne bovina brasileira somaram cerca de 1,7 milhão de toneladas, o equivalente a 48,3% do volume exportado. Nesse cenário, passam a ser necessários ajustes ao longo de toda a cadeia, da produção à exportação, para evitar impactos mais amplos”.

“China permanece como o principal destino da carne bovina brasileira e “importante mercado para o funcionamento da pecuária nacional”. “Esses embarques dizem respeito a produtos com valor agregado e perfil distinto do consumo doméstico, associados à geração de emprego e renda no setor”.

“As exportações brasileiras para a China são fruto de relação comercial construída ao longo de anos, baseada em fornecimento regular, previsibilidade e estrito cumprimento dos requisitos sanitários e técnicos acordados entre os dois países. A carne bovina brasileira, reconhecida por sua qualidade, exerce papel complementar no abastecimento do mercado chinês e contribui para a estabilidade da oferta ao consumidor”.

Perspectivas futuras

As associações enfatizam a importância da relação comercial bilateral, construída com base em qualidade e cumprimento de normas sanitárias. Apesar das restrições, a carne bovina brasileira continua a complementar o abastecimento chinês, contribuindo para a estabilidade do mercado. Os próximos anos demandarão adaptações para manter o equilíbrio nas exportações.

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