Avanço das raças Wagyu impulsiona pecuária brasileira
A pecuária brasileira registra um notável avanço com as raças Wagyu, que apresentaram um crescimento de quase 30% nos abates entre 2024 e 2025. De 1.749 cabeças abatidas em 2024, o número saltou para 2.272 no ano seguinte, impulsionado pela demanda por carnes premium e investimentos em genética. Esse movimento reflete uma mudança no comportamento do consumidor, que valoriza qualidade, marmoreio elevado e experiências gastronômicas superiores, com projeções positivas para 2026.
Crescimento impulsionado por demanda global e interna
A expansão das raças Wagyu no Brasil ocorre em meio a uma demanda global e interna por carnes premium. Consumidores buscam produtos com alto marmoreio, benefícios nutricionais e um mercado em expansão mundial. A Associação Brasileira dos Criadores de Wagyu (ABCBRW) destaca que essa tendência é sustentada pela profissionalização da cadeia produtiva e pela certificação de qualidade.
Daniel Steinbruch, presidente da ABCBRW e pecuarista, aponta desafios históricos no setor.
Há um gargalo histórico no setor no Brasil, em função da falta de padronização para manejo e genética desses animais.
Essa declaração reforça a necessidade de padronização para sustentar o crescimento.
Investimentos em genética e inseminação artificial
Os investimentos em genética representam um pilar fundamental desse avanço. A valorização ocorre por meio de inseminação artificial e cruzamentos com raças como Angus, visando melhorar o desempenho no campo. Tatiana Caruso, médica veterinária, enfatiza a importância de touros comprovados.
O investimento em sêmen de touros comprovados é o primeiro passo para garantir desempenho no campo e padronização na terminação.
Ela complementa:
Hoje não basta ter um touro bonito de catálogo. É preciso saber o que ele carrega no DNA e o que realmente transmite à progênie.
Esses esforços visam entregar resultados consistentes, priorizando o genótipo sobre o fenótipo.
Profissionalização e certificação na cadeia produtiva
A profissionalização da cadeia produtiva inclui o Programa Carne Wagyu Certificada, que audita e mede a qualidade do produto final. Steinbruch ressalta sua relevância:
Este programa é fundamental porque ele audita, mede e dá credibilidade ao produto final.
Produtores brasileiros, como Fernando Pereira, diretor da PremiunGen, observam uma evolução no mercado.
Pereira afirma:
O mercado entendeu que o fenótipo pode até vender catálogo, mas quem entrega resultado é o genótipo.
Essa visão indica uma maturidade crescente no setor, com foco em resultados genéticos comprovados.
Projeções para 2026 e impactos no mercado
Com projeções para 2026, o setor antecipa continuidade no crescimento, impulsionado por demandas por carnes premium e inovações em manejo. O Brasil se posiciona como player relevante no mercado global de Wagyu, beneficiando-se de sua vasta pecuária. Essa trajetória promete elevar a competitividade da pecuária brasileira, atendendo a consumidores que priorizam qualidade e sustentabilidade nutricional.