Banco eleva preço-alvo das ações para R$ 23 e projeta melhora dos resultados com recuperação dos grãos, redução de custos e menor alavancagem
A perspectiva de recuperação das commodities agrícolas está reforçando o otimismo do mercado financeiro em relação à SLC Agrícola. O JP Morgan elevou sua recomendação para as ações da companhia de neutra para compra e aumentou o preço-alvo dos papéis de R$ 18 para R$ 23, diante da expectativa de um cenário mais favorável para preços, custos e margens em 2027.
Segundo relatório do banco repercutido pelo The AgriBiz, o novo preço-alvo representava potencial de valorização de 36,5% até dezembro de 2027, tomando como referência o fechamento de 8 de setembro, quando a ação estava cotada a R$ 16,85. No pregão seguinte à divulgação, os papéis chegaram a R$ 17,88, com avanço de aproximadamente 6%.
Preços dos grãos e custos favorecem novo ciclo
Um dos principais fatores por trás da avaliação positiva é a combinação entre preços mais elevados das commodities e custos de produção mais favoráveis. O JP Morgan considera que a recente valorização dos grãos ainda não estaria totalmente incorporada ao preço das ações e vê possibilidade de sustentação das cotações diante de um mercado global de oferta e demanda mais apertado.
A gestão de insumos também aparece como diferencial. A SLC adquiriu antecipadamente os fertilizantes fosfatados necessários para a safra 2026/27, antes da forte elevação dos preços, enquanto 70% das necessidades de nitrogenados foram compradas em um momento de preços mais baixos. A estratégia contribui para uma perspectiva de custos mais controlados na próxima temporada.
Nesse cenário, o JP Morgan aumentou em 11% sua projeção de Ebitda da companhia para 2027, chegando a R$ 3,2 bilhões, com margem estimada de 34%. A leitura de melhora não está restrita ao banco americano: em agosto, o BTG Pactual também revisou suas projeções e passou a prever que 2027 poderá marcar o primeiro crescimento da margem Ebitda da SLC em três anos.
Endividamento deve recuar
Outro ponto acompanhado pelos investidores é a alavancagem. A expectativa do JP Morgan é que a relação entre dívida líquida e Ebitda recue para cerca de 2 vezes até o fim de 2027. A combinação entre aumento do resultado operacional e redução dos investimentos em expansão tende a favorecer a geração de caixa livre.
Grande parte dos projetos de expansão da companhia já foi concluída, e os investimentos destinados ao crescimento deverão se concentrar principalmente na irrigação, com aproximadamente R$ 200 milhões por ano, segundo as projeções citadas pelo banco. Eventuais novas aquisições de terras, entretanto, podem voltar a pressionar a alavancagem.
El Niño permanece como principal risco
O clima continua sendo um dos principais fatores de incerteza para a agricultura no Brasil. Nas estimativas utilizadas pelo JP Morgan, um cenário associado ao El Niño poderia provocar redução de produtividade de aproximadamente 8% na soja, 7% no algodão e 15% no milho safrinha da SLC. O banco avalia, porém, que parte desse risco já estaria refletida no valor das ações.
A companhia conta atualmente com fatores que podem reduzir sua vulnerabilidade climática, como maior proporção de áreas agrícolas maduras e expansão da irrigação. Na Bahia, a área irrigada da SLC já se aproxima de 25 mil hectares, reforçando a importância dos investimentos tecnológicos para a produção agrícola no estado diante de um cenário climático mais desafiador.