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sexta-feira , 24 abril 2026
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Rivalidade entre Marfrig e Minerva se intensifica com impasse regulatório no Uruguai

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A rivalidade entre as gigantes brasileiras da carne Marfrig e Minerva ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira, com foco no mercado uruguaio. Dois anos após anunciar a venda de três frigoríficos no Uruguai à Minerva por R$ 675 milhões, a Marfrig declarou que o contrato perdeu a validade, citando o não cumprimento de aprovações regulatórias dentro do prazo estipulado.

Em comunicado oficial, a Marfrig, liderada por Marcos Molina, explicou que o acordo previa um limite de dois anos para obter todas as aprovações necessárias, incluindo a da autoridade antitruste uruguaia. Como a Minerva não conseguiu essa chancela no período, a empresa considera o contrato extinto, o que pode alterar o equilíbrio de forças no setor de carne bovina no país vizinho.

A Minerva, controlada pela família Vilela de Queiroz, rebateu a alegação da rival, afirmando que discorda da interpretação e que o contrato permanece em vigor. Segundo a companhia, a transação ainda depende apenas da aprovação da Coprodec, a entidade antitruste do Uruguai, e não há base para o cancelamento unilateral.

No Uruguai, a Minerva enfrenta resistência significativa de pecuaristas locais, que argumentam que a aquisição concederia à empresa mais de 40% dos abates de carne bovina, criando um poder de mercado excessivo. Essa oposição levou a Coprodec a rejeitar o negócio uma vez, forçando a Minerva a apresentar um segundo pedido, no qual propôs vender uma das plantas ao grupo indiano Allana e sinalizou a possibilidade de se desfazer de outra unidade.

Dúvidas persistem sobre as relações societárias da Allana, já que o acordo foi assinado com uma entidade espanhola ligada a um sócio do grupo indiano, mas não diretamente ao conglomerado. Fontes indicam que a Coprodec solicitou mais informações e expressou desconforto com as respostas, o que prolonga a análise regulatória e aumenta a incerteza política em torno da concentração de mercado.

Caso o cancelamento prevaleça, como defende a Marfrig, a autoridade uruguaia pode encerrar o processo por perda de objeto, evitando uma decisão final. Isso manteria a Marfrig como a maior operadora de carne bovina no Uruguai, com quatro plantas, garantindo flexibilidade para exportações aos Estados Unidos, especialmente após as tarifas impostas pelo ex-presidente Trump que afetaram a competitividade brasileira.

Por outro lado, a Minerva evitaria o pagamento de multas pelo rompimento, mas continuaria enfrentando um concorrente forte no mercado local. A disputa destaca tensões regulatórias e políticas no setor agropecuário sul-americano, com implicações para o comércio internacional e a dinâmica de poder entre empresas brasileiras.

A novela entre as duas companhias segue em aberto, com a Minerva prometendo contestar os argumentos da Marfrig, enquanto o desfecho depende de interpretações jurídicas e decisões da Coprodec, refletindo o papel crucial das autoridades antitruste em moldar o panorama econômico regional.

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