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A praga silenciosa que devora a economia do couro brasileiro

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As larvas da mosca Dermatobia hominis, responsáveis pela infestação conhecida como berne, representam uma ameaça significativa para a pecuária no Brasil. Essa miíase cutânea forma nódulos sob a pele do gado, onde as larvas escavam galerias para se alimentar, causando feridas dolorosas. Esse processo não apenas compromete o bem-estar dos animais, mas também impacta diretamente a produção de carne e leite, além de gerar perdas substanciais na indústria do couro.

O ciclo biológico do berne ainda não é completamente entendido, o que complica as estratégias de controle preventivo. Como resultado, os tratamentos geralmente são realizados de forma curativa, após as larvas já estarem instaladas no hospedeiro. A remoção manual, frequentemente executada sem técnicas adequadas, pode agravar o problema ao provocar ferimentos adicionais e infecções secundárias, exacerbando os danos aos rebanhos.

Além do desconforto imediato para os bovinos, a infestação por berne leva a uma queda no ganho de peso e aumenta a suscetibilidade a outras doenças. Estudos indicam que animais acometidos por 20 a 40 larvas podem perder até 14% de seu peso vivo, afetando a produtividade geral das fazendas. No setor de couro, as perfurações causadas pelas larvas desvalorizam o produto em até 40%, e em casos mais graves, resultam no rebaixamento de categoria do material.

Para mitigar esses impactos, medidas preventivas são essenciais, incluindo o manejo adequado de esterqueiras, a remoção de carcaças e a limpeza regular de piquetes. O descarte de animais altamente parasitados também é recomendado para evitar a propagação. Além disso, o uso de produtos específicos, como formulações pour-on ou injetáveis, deve ser orientado por veterinários para garantir eficácia e segurança.

O melhoramento genético surge como uma solução promissora, com a seleção de animais mais resistentes à infestação. Integrar essas práticas com o controle de outros parasitas, como carrapatos e moscas, pode potencializar os resultados e reduzir as perdas econômicas. Com o agronegócio sendo um pilar da economia brasileira, o controle efetivo do berne é crucial para manter a competitividade do setor no mercado global.

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