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sábado , 25 abril 2026
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Crise no crédito rural expõe vulnerabilidades econômicas no agronegócio brasileiro

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A escassez de crédito e a falta de liquidez no setor agropecuário têm sido temas recorrentes em discussões recentes, e agora dados concretos do Banco Central confirmam a gravidade da situação. O relatório mensal de crédito, divulgado na semana passada, revela uma queda acentuada nos empréstimos para produtores rurais pessoas físicas. Em setembro, o volume de empréstimos a taxas de mercado para essa categoria totalizou R$ 6,8 bilhões, representando uma redução de 40% em comparação ao mesmo mês de 2024.

No panorama geral, que inclui tanto empréstimos a taxas de mercado quanto aqueles com taxas reguladas, a queda foi de 11%, passando de R$ 28,9 bilhões em setembro de 2024 para R$ 25,7 bilhões no mesmo período deste ano. Além da diminuição no volume, os custos dos financiamentos também aumentaram. Os produtores pagaram uma taxa média de 14,8% nos empréstimos a taxas de mercado, contra 13,1% no ano anterior, um reflexo direto do aumento da Selic.

A inadimplência surge como um fator central nessa crise. Para os empréstimos a taxas de mercado destinados a pessoas físicas, o índice saltou de 3,4% em setembro de 2024 para 10% em setembro deste ano. Mesmo ao considerar os recursos subsidiados, o aumento é significativo, de 2,2% para 5,4%. Essa deterioração pode explicar, em parte, a reticência das instituições financeiras em liberar mais recursos.

O volume de recuperações judiciais (RJs) tem assombrado o setor bancário. Felipe Prince, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos do Banco do Brasil, destacou em entrevista à Bloomberg que o banco possui R$ 5,4 bilhões em empréstimos paralisados devido a RJs, com dois terços desses clientes sem histórico de inadimplência. O Banco do Brasil, responsável por mais de 60% do financiamento ao crédito rural e com uma carteira de R$ 404 bilhões para o agronegócio, viu sua inadimplência subir para 3,5% no final de junho, um aumento de 2,2 pontos percentuais em um ano.

Carlos Aguiar, diretor de Agronegócios do Santander, também apontou para a alta alavancagem do setor como justificativa para a redução nos empréstimos, em entrevista ao Money Times. Essa crise difere de outras anteriores, segundo os executivos, e reflete desafios estruturais no financiamento rural.

Em contraste, o cenário para pessoas jurídicas (PJs) é mais favorável. O volume de empréstimos rurais para empresas alcançou R$ 10,2 bilhões em setembro, um aumento em relação aos R$ 7,5 bilhões do ano anterior. Embora as taxas de mercado tenham subido de 12,6% para 14,1%, a inadimplência permanece controlada, em 0,6% no geral e 0,8% para taxas de mercado, contra 0,4% e 0,5% respectivamente em 2024.

O saldo total das operações de crédito rural em setembro somou R$ 542 bilhões para pessoas físicas e R$ 99,4 bilhões para PJs, destacando a disparidade entre os segmentos. Essa dinâmica pode influenciar políticas econômicas, especialmente em um setor vital para a economia brasileira.

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