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sexta-feira , 6 março 2026
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O alerta dos pecuaristas: gado brasileiro ainda passa fome e compromete a economia rural

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Em muitas fazendas brasileiras, especialmente durante o período de seca, o gado enfrenta uma dura realidade de escassez alimentar, o que compromete a produtividade e a rentabilidade da pecuária. Essa situação, conhecida como “efeito sanfona”, faz com que os animais engordem na estação chuvosa e percam peso na seca, atrasando ciclos de produção e gerando prejuízos significativos. Especialistas alertam que, apesar da robustez da raça nelore e da resiliência do setor, a falta de planejamento nutricional é um erro custoso que persiste no país.

Em uma entrevista no programa Giro do Boi, o zootecnista Tiago Felipini, especialista em nutrição de ruminantes e consultor da Alcance Planejamento Rural, destacou que bois, vacas e bezerros ainda passam fome no Brasil. Segundo ele, os pecuaristas frequentemente permitem que os animais percam peso sem perceber o potencial de ganho maior com um manejo adequado. A genética brasileira, especialmente a nelore, evoluiu consideravelmente, mas a alimentação não acompanhou esse avanço, resultando em perdas evitáveis.

As consequências dessa falta de nutrição são graves. O “boi sanfona” perde todo o peso ganho durante a seca, o que atrasa a idade de abate e o ciclo produtivo. Na reprodução, vacas magras não respondem bem à inseminação, falham em manter a prenhez e desperdiçam investimentos em tecnologias. Além disso, iniciar a suplementação no meio ou no final da seca eleva os custos, pois o pecuarista gasta para repor perdas em vez de promover ganhos, o que poderia ser prevenido com ações antecipadas.

Para reverter esse quadro, Felipini recomenda planejamento antecipado, como começar a suplementação proteica no início do período seco, em abril, quando o pasto ainda está verdejante. Nessa fase, os animais podem ganhar de 150 a 200 gramas extras por dia, somados ao benefício da pastagem, impulsionando o desempenho do rebanho. Essa estratégia evita o desperdício e maximiza a eficiência.

Outras práticas eficazes incluem o sequestro, que consiste em confinar bezerros desmamados ou vacas em fase reprodutiva para preservar o pasto e evitar invasoras, garantindo ganho de peso. A casquinha de soja na dieta pode substituir até 50% do milho, mantendo resultados semelhantes a um custo menor. Já o sal proteinado, usado em pastos de boa condição, ajuda a manter o peso se aplicado no início da seca, preservando o escore corporal dos animais.

No que diz respeito à formulação de rações, é essencial cuidado para evitar intoxicações, controlando a ureia em no máximo 10% e o sal branco para não restringir o consumo e causar estresse. Em confinamentos, o dimensionamento correto do cocho é crucial, pois a falta de espaço afeta os animais dominados, reduzindo sua ingestão e impactando os resultados gerais.

Felipini enfatiza que o gado brasileiro tolera condições adversas, mas seu potencial é muito maior com planejamento estratégico. A adoção de suplementos, tecnologias de manejo como o sequestro e a nutrição de precisão não só garante o bem-estar do rebanho, mas também eleva a produtividade, permitindo que os pecuaristas ganhem mais e contribuam para a sustentabilidade do setor.

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