O conglomerado japonês Mitsubishi está em discussões iniciais com a brasileira Cosan e a britânica Shell, controladoras da Raízen, para uma possível entrada como sócia na empresa de energia. De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg, a Mitsubishi avalia a possibilidade de fazer uma proposta para aquisição de ações da Raízen, o que poderia alterar a estrutura acionária da companhia.
Essa movimentação não é surpresa, pois a própria Raízen já havia sinalizado a intenção de captar recursos por meio de um aumento de capital, incluindo a entrada de um terceiro sócio. No balanço do primeiro trimestre da safra 2025/26, a empresa mencionou essa estratégia, com o objetivo de levantar cerca de R$ 10 bilhões, equivalentes a US$ 1,8 bilhão.
Como resultado dessa operação, haveria uma diluição na participação da Cosan, uma das controladoras atuais. O foco principal é fortalecer o fluxo de caixa da Raízen, que enfrenta um endividamento significativo de R$ 49,2 bilhões, com uma alavancagem de 4,5 vezes, conforme o último balanço divulgado.
Para lidar com essa situação, a Raízen iniciou um processo de reestruturação, que inclui a nomeação do novo CEO, Nelson Gomes. Além disso, a companhia revisou seu portfólio e realizou desinvestimentos que já somam mais de R$ 3,5 bilhões, com as vendas mais recentes sendo de duas usinas para a Cocal, anunciadas na última sexta-feira.
Nos últimos 12 meses, as ações da Raízen acumularam uma queda de 61%, resultando em uma perda de R$ 20,4 bilhões em valor de mercado. Atualmente, a empresa é avaliada em R$ 12,8 bilhões, o que reflete os desafios financeiros e operacionais enfrentados no setor de energia.