O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sexta-feira , 6 março 2026
Início Economia Déficit de etanol no Brasil: oferta apertada pode pressionar economia e importações
Economia

Déficit de etanol no Brasil: oferta apertada pode pressionar economia e importações

100

O mercado brasileiro de etanol pode registrar o primeiro déficit em 14 anos, com uma diferença negativa de 890 milhões de litros entre produção e consumo ao final da safra 2025/26. De acordo com estimativas da Veeries, o Centro-Sul apresentará um superávit de cerca de 2 bilhões de litros, o menor desde a safra 2016/17. Esse cenário, o primeiro desde 2011, quando uma quebra na safra de cana impactou o setor, não indica escassez imediata, mas deve manter os preços elevados até o início da próxima safra, conforme analisa Fabio Meneghin, sócio da Veeries.

Embora os estoques sejam suficientes para suprir a demanda, a oferta apertada já reflete nos preços. Em São Paulo, o etanol hidratado subiu 3,7% ao consumidor em aproximadamente 30 dias, segundo dados da ANP. Isso piorou a relação de troca com a gasolina, embora ainda favorável ao etanol no maior estado produtor. Em mercados como Rio de Janeiro e Minas Gerais, a gasolina se tornou mais competitiva, reduzindo a participação do etanol hidratado no consumo de combustíveis de ciclo Otto.

A alta nos preços do etanol hidratado, que aumentou 4% em 2025 contra apenas 0,6% da gasolina, resultou em uma queda no share do biocombustível para 30,8% em setembro, ante cerca de 32% no início do ano e no mesmo período anterior. Meneghin atribui isso a frustrações na safra de cana-de-açúcar, com produção de etanol de cana terminando pelo menos 2 bilhões de litros abaixo do esperado, equivalente a um mês de consumo, e 3 bilhões de litros menor que a safra anterior.

Enquanto isso, a produção de etanol de milho cresceu acima do previsto, superando a safra passada em 1 bilhão de litros e alcançando 9,1 bilhões de litros nesta temporada, segundo a Veeries. No entanto, esse aumento não compensa o déficit na oferta de cana. Adicionalmente, o consumo de etanol hidratado foi estimulado em agosto com a elevação da mistura obrigatória na gasolina de 27,5% para 30%, contribuindo para a pressão nos preços.

Com o balanço entre oferta e demanda apertado, as importações de etanol se tornaram viáveis. De abril a agosto, foram importados 150 milhões de litros, acima da média dos últimos cinco anos. Meneghin observa que, embora o volume ainda seja baixo, o cenário sugere um aumento nas importações este ano.

Diante da alta, usinas poderiam ajustar o mix alcooleiro para elevar a produção de etanol, mas o espaço é limitado devido a line-ups fortes de açúcar para outubro e embarques intensos em setembro. O terço final da safra no Centro-Sul, marcado por chuvas que naturalmente aumentam a produção de etanol, já está nas projeções. Outra opção é antecipar a moagem da safra 2026/27, dependendo dos preços, o que poderia evitar o déficit estimado para março de 2026.

O aperto na oferta deve durar apenas até o início da safra 2026/27, quando a produção total de etanol deve crescer 15%, atingindo 41,8 bilhões de litros. A produção de cana recuperaria 2 bilhões de litros perdidos, alcançando 28,3 bilhões de litros (aumento de 8%), enquanto o etanol de milho subiria 35%, para 13,2 bilhões de litros. Nesse contexto, o etanol hidratado poderia retomar market share, aproximando-se de 35% no consumo nacional.

Relacionadas

MBRF e JBS expandem apostas no Oriente Médio em meio à guerra no Irã

MBRF e JBS ampliam presença no Oriente Médio com aquisições e parcerias...

Alfa Participações vende operações da Agropalma no Pará ao Grupo Daabon

Alfa Participações anuncia venda das operações da Agropalma no Pará ao Grupo...

Câmara aprova lei que restringe uso da palavra leite a produtos de origem animal

Câmara dos Deputados aprova projeto de lei que restringe o termo 'leite'...

Exportações do agronegócio de São Paulo para China crescem 167% e atingem US$ 3,7 bi em 2023

Exportações do agronegócio paulista para a China saltaram 167% em 2023, atingindo...