O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sexta-feira , 24 abril 2026
Início Agricultura Phytophthora infestans desativa sistema de defesa das plantas com enzimas especializadas
AgriculturaEspecialistas

Phytophthora infestans desativa sistema de defesa das plantas com enzimas especializadas

163

Estudo revela que o oomiceto responsável pela requeima da batata usa oxidases para neutralizar o “alarme” imunológico das plantas e garantir o sucesso da infecção.

Patógeno corta o “alarme” vegetal

Pesquisadores das universidades de York, James Hutton Institute e Université Libre de Bruxelles descobriram que o oomiceto Phytophthora infestans, causador da requeima da batata e do tomate, utiliza enzimas da família AA7 para desativar os mecanismos de defesa das plantas. Essas enzimas oxidam fragmentos de pectina liberados quando há dano celular — compostos que normalmente ativam a resposta imune vegetal.

Ao alterar quimicamente esses oligogalacturonídeos (OGs), as AA7 impedem que a planta reconheça o ataque e produza espécies reativas de oxigênio (ROS), um dos primeiros sinais de defesa. Em termos práticos, o patógeno “corta os fios do alarme” antes que o sistema imunológico vegetal perceba a invasão.

Foto: Elizabeth Bush, Virginia Polytechnic Institute and State University

Enzimas agem com precisão

As enzimas AA7 secretadas por P. infestans atuam no apoplasto, região extracelular onde ocorre a comunicação bioquímica entre células. Nessa área, tanto o patógeno quanto a planta liberam enzimas semelhantes, o que indica um caso de evolução convergente. A versão do oomiceto, porém, é especializada em oxidar OGs vegetais, neutralizando o sinal de perigo e abrindo caminho para a infecção.

Quando os genes responsáveis pelas AA7 foram silenciados em laboratório, as plantas infectadas apresentaram manchas menores e menor necrose, comprovando a importância dessas enzimas na virulência do patógeno.

Convergência evolutiva e adaptação

As análises estruturais mostraram que as AA7s de P. infestans possuem uma ligação mono-cisteinílica ao cofator FAD — característica que as torna mais eficientes em pH ácido, como o ambiente do apoplasto. Essa eficiência catalítica aumenta conforme o tamanho dos OGs, favorecendo a inativação dos fragmentos mais imunogênicos.

Além disso, a pesquisa detectou genes semelhantes em outros oomicetos fitopatogênicos, sugerindo que o mecanismo de desativação de OGs pode ser uma estratégia comum entre esses microrganismos.

Foto: Sandra Jensen, Cornell University

Implicações para o controle de doenças

A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novas estratégias de manejo contra doenças causadas por oomicetos, como a requeima, que provoca grandes perdas econômicas na agricultura mundial. Ao compreender como esses patógenos burlam o sistema de defesa vegetal, cientistas podem projetar plantas mais resistentes e alternativas sustentáveis ao uso intensivo de fungicidas.

Relacionadas

Pesquisa da Unesp revela aumento de até 30% no valor do chocolate amazônico com processamento adequado

Descubra como pesquisa da Unesp mostra que processamento adequado eleva o valor...

Expiração de patente da Bayer reacende disputa bilionária por royalties na soja

Expiração da patente da Bayer reacende disputa bilionária por royalties na soja...

Joaninhas impulsionam controle biológico sustentável nas lavouras brasileiras

Descubra como as joaninhas atuam no controle biológico de pragas nas lavouras...