Menos de dois anos após liderar a construção da Biotrop, o biólogo Antonio Carlos Zem foi impulsionado pelo espírito empreendedor para iniciar um novo projeto. Em março deste ano, após um acordo com a holding belga Biofirst, que assumiu o controle da Biotrop, Zem deixou o cargo de CEO para fundar a BioVirtus. Em entrevista, ele enfatizou que não competirá diretamente com sua antiga empresa, focando em áreas adjacentes aos biológicos tradicionais, com ênfase em especialidades inovadoras.
A energia é o cerne da estratégia da BioVirtus, com destaque para o protetor solar para plantas. Zem acredita que o desequilíbrio climático exige soluções como essa, especialmente com a expansão agrícola para regiões como Mapito e Rondônia, mais próximas ao Equador. A empresa já lançou um produto à base mineral, que tem apresentado bom desempenho em vendas. Além disso, estão em avaliação tecnologias de protetor solar transparente para cultivos sensíveis a golpes de sol, como frutas, soja e milho, cujas folhas podem enrolar e secar sob exposição excessiva.
Como produtor de uva e manga aos 74 anos, Zem observa de perto esses desafios. Ele relatou que a BioVirtus está realizando as primeiras vendas para soja e milho, com resultados promissores aguardados. Outra frente de pesquisa envolve soluções para concentrar espectros de luz favoráveis à fotossíntese, visando aumentar a produtividade das plantas por meio de maior capacidade fotossintética e conforto térmico. Os testes iniciais indicam 70% de sucesso nesse segmento.
A empresa também explora algas marinhas e extratos botânicos, com planos de licenciar tecnologias externas e, possivelmente, atrair investidores para acelerar o crescimento, seguindo o modelo da Biotrop. Zem, com 38 anos de experiência na FMC, onde foi presidente, vê o setor de insumos em um ciclo de baixa, mas prevê recuperação a partir de julho de 2026. Ele critica o modelo antigo das multinacionais químicas, afetadas pela concorrência de genéricos e falta de inovação, sugerindo que elas precisam se adaptar.
No segmento de distribuição, Zem alerta para práticas insustentáveis, como aceitar estoques em troca de rebates, o que compromete a cadeia. Ele defende que distribuidores imponham sua força às multinacionais, essenciais para o acesso ao mercado. Para um setor saudável, as empresas devem zelar pelas margens dos distribuidores, que, por sua vez, garantem o sucesso dos agricultores, evitando distorções motivadas por metas de Wall Street.
Apesar da crise atual, que afeta até os biológicos, Zem nota um crescimento contínuo, embora sem o vigor inicial. Ele acredita que a inovação definirá as líderes do mercado, com empresas da primeira geração perdendo espaço para novas entrantes. A grande virada, segundo ele, virá com bioherbicidas eficientes e acessíveis, em desenvolvimento por companhias como a Biotrop.
Zem projeta que, nos próximos cinco ou seis anos, os biológicos superarão os defensivos químicos em valor de mercado, impulsionados por essas inovações. Sua visão destaca a necessidade de adaptações na cadeia produtiva para enfrentar desafios climáticos e econômicos.