No encerramento de 2025, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) divulgou um balanço das conquistas do setor nos últimos 12 meses, destacando os quatro pilares estratégicos: sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e promoção. Esses avanços reforçam o algodão como uma cultura responsável e essencial para o agronegócio nacional, com perspectivas promissoras para 2026. Segundo o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, o sucesso se deve à implementação de práticas organizadas que consolidam um posicionamento sólido, impulsionando agendas socioambientais no país.
No pilar da sustentabilidade, o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), criado em 2012, certificou 83% da produção na safra 2024/2025 conforme padrões internacionais. A renovação da parceria com o Better Cotton Institute (BCI) garantiu o acesso a mercados exigentes, enquanto a participação na COP30 projetou o algodão brasileiro como alternativa natural às fibras sintéticas, reduzindo a poluição por microplásticos. Fábio Carneiro, gerente de Sustentabilidade da Abrapa, enfatizou o impacto das práticas responsáveis no cenário global.
Quanto à qualidade, a Abrapa promoveu seis workshops em Goiás, Bahia e Mato Grosso, capacitando 1.440 profissionais da cadeia produtiva. Treinamentos para inspetores de Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA) e laboratórios foram realizados, alinhados ao Standard Brasileiro HVI (SBHRVI). Em 2025, mais de 14 milhões de fardos foram analisados, integrando dados ao Sistema Abrapa de Identificação. O Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) completará dez anos em 2026, marcando uma década de padronização.
O programa de rastreabilidade SouABR, lançado em 2021, avançou com uma nova política de adesão, permitindo que marcas ofereçam transparência via QR Code, desde a origem até o consumidor. Isso amplia a credibilidade do setor. Já o movimento Sou de Algodão, que completa dez anos em 2026, destacou-se no São Paulo Fashion Week 2025, com desfiles de estilistas renomados enfatizando a conexão entre produção e consumo. Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa, ressaltou a crescente exigência do público por origem e sustentabilidade.
No âmbito internacional, o projeto Cotton Brazil consolidou o Brasil como líder em exportações, com 2,8 milhões de toneladas embarcadas na safra 2024/2025, gerando US$ 4,8 bilhões. O país responde por 33% das exportações globais, com foco em mercados como Índia, Egito e Paquistão. Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais, planeja defender o mercado em 2026 e 2027, priorizando os dez maiores compradores e expandindo ações para varejistas na Europa e Estados Unidos.
O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) de 2026, em Belo Horizonte, terá como tema “Algodão Brasileiro: Fibra Natural, uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, com expectativa de público recorde. A edição de 2024 venceu o Prêmio Caio, reconhecido como o “Oscar” dos eventos no Brasil. Márcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa, vê isso como um marco que reflete o protagonismo global do setor.