A China, principal destino das exportações de carne bovina do Brasil, está prestes a impor cotas para as importações do produto, após um ano de investigação de salvaguardas conduzida pelo Ministério do Comércio chinês. Essa medida surge em um contexto de crescente tensão comercial, com impactos potenciais na balança bilateral entre os dois países.
Em uma reunião realizada em Brasília nesta semana, representantes chineses indicaram ao governo brasileiro a criação de uma tarifa de 55% sobre as importações de carne bovina, além de uma cota isenta de tarifa. O Brasil receberia a maior fatia dessa cota, limitada a 1,1 milhão de toneladas por ano, volume significativamente inferior ao registrado atualmente.
Até novembro, as exportações brasileiras de carne bovina para a China somaram 1,5 milhão de toneladas, representando um aumento de 23% em comparação ao mesmo período de 2024. Projeções indicam que o total anual pode alcançar 1,7 milhão de toneladas, o que evidencia o descompasso entre a cota proposta e a demanda real do mercado chinês.
O deputado Arnaldo Jardim defendeu uma mobilização urgente do governo brasileiro para negociar a questão, enfatizando a importância do diálogo internacional. Ele destacou que o Brasil importa diversos produtos da China, como fertilizantes, e sugeriu que esses fluxos comerciais sejam usados como alavanca nas discussões para equilibrar as relações.
Jardim frisou que negociações desse porte devem ocorrer entre governos, e não apenas pelo setor privado de carnes. Ele recordou que o processo de investigação chinesa dura mais de um ano, período em que ocorreram conversas em Brasília para incentivar uma iniciativa oficial, incluindo uma reunião de alto nível.
O parlamentar comparou o cenário à política adotada por Donald Trump nos Estados Unidos, que limitou importações de suco de laranja e precisou recuar devido à inflação gerada. Jardim alertou que a China pode enfrentar impactos inflacionários internos, pois não possui estrutura produtiva para substituir o volume brasileiro, e compras de outros mercados resultariam em custos mais altos e qualidade inferior.
O Brasil é responsável por mais da metade das importações totais de carne bovina da China, que giram em torno de 3 milhões de toneladas anuais. Autoridades chinesas devem anunciar a medida oficialmente nesta quarta-feira (31/12), enquanto a Associação da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec) informou que aguardará o comunicado para se posicionar.