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sexta-feira , 6 março 2026
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Exportação de frutas do Brasil bate recorde em 2025 mesmo com tarifaço dos EUA

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Setor alcança US$ 1,4 bilhão em receita, impulsionado pela demanda europeia; manga lidera embarques e Nordeste se destaca

Mesmo diante do impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, a exportação de frutas do Brasil registrou um desempenho histórico em 2025. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados em relatório do Itaú BBA, os embarques do setor somaram US$ 1,4 bilhão, alta de 11% em relação a 2024. O volume exportado chegou a 1,3 milhão de toneladas, avanço expressivo de 20% no comparativo anual.

Manga lidera e reforça força da fruticultura brasileira

A manga foi o principal produto da pauta exportadora, com US$ 335 milhões em vendas externas. O volume embarcado da fruta cresceu 13%, alcançando 290 mil toneladas em 2025. Apesar do avanço físico, a receita com manga recuou 4%, reflexo direto das tarifas norte-americanas, que pressionaram os preços médios no mercado internacional.

Melões, limões e limas, uvas e melancias completaram o ranking das cinco frutas mais exportadas pelo Brasil, reforçando a diversidade e a competitividade da fruticultura nacional — com destaque para polos produtivos do Nordeste, como Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Europa sustenta crescimento e reduz impacto do tarifaço

A União Europeia manteve-se como o principal destino das frutas brasileiras, respondendo por 62% do total exportado em 2025. Na sequência aparecem Reino Unido (16%) e Argentina (7%). A forte demanda europeia foi decisiva para compensar as perdas causadas pelas barreiras tarifárias dos Estados Unidos, especialmente em produtos como manga e uva.

No caso da uva, a participação dos EUA caiu drasticamente, de 23% em 2024 para apenas 6,7% em 2025. Ainda assim, a maior flexibilidade logística permitiu o redirecionamento dos embarques para o mercado europeu, mantendo o crescimento do setor.

Outras frutas também registram resultados históricos

Além da manga, outras frutas apresentaram forte expansão. A melancia atingiu recorde, com 185 mil toneladas exportadas e receita de US$ 115 milhões. Mamão, abacate, banana e maçã também tiveram crescimento relevante em valor, impulsionados por menor oferta de concorrentes internacionais e recuperação da produção brasileira.

No caso do limão, o Brasil consolidou-se como o quinto maior exportador mundial, beneficiado pela abertura de novos mercados e pela demanda aquecida da União Europeia.

Acordo Mercosul–UE pode ampliar oportunidades para o agro

O relatório do Itaú BBA destaca que o acordo entre Mercosul e União Europeia tende a fortalecer ainda mais o comércio de frutas. Diferentemente de outros produtos do agronegócio, as frutas não estarão sujeitas a cotas e terão tarifas eliminadas gradualmente, entre quatro e dez anos, a depender do produto.

A expectativa do setor é de que o acordo gere ganhos estruturais para a fruticultura brasileira, ampliando a competitividade do país no mercado internacional e abrindo novas oportunidades para produtores do Nordeste e de outras regiões.


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