No interior de São Paulo, usinas de cana-de-açúcar como Raízen, Biosev (controlada pela Louis Dreyfus) e Tereos expandem suas áreas de cultivo por meio de arrendamentos de terras, alterando a estrutura fundiária local. Dados de 2023 indicam que 25% da área cultivada é arrendada, um aumento de 10% em relação a 2018, com tendência contínua nos últimos anos. Essa estratégia afeta produtores familiares e é impulsionada pela demanda por etanol e bioenergia.
Expansão por arrendamentos
As usinas optam por arrendar terras de proprietários menores em vez de comprá-las, o que permite expansão rápida e otimização de custos. Essa abordagem oferece flexibilidade operacional, ajustando-se às condições de mercado. Regiões como Ribeirão Preto, Araçatuba e Bauru concentram essa movimentação.
O arrendamento oferece flexibilidade, permitindo que as usinas ajustem suas operações de acordo com as condições de mercado. — Vlamir Brandalizze
Fatores impulsionadores
A crescente demanda por etanol e bioenergia motiva essa expansão, apoiada por políticas como o RenovaBio. Preços atrativos da cana comparados a outras culturas, investimentos em tecnologia e produtividade, e a transição para energias sustentáveis também contribuem. O Instituto de Economia Agrícola (IEA) registra esse aumento nos dados recentes.
Impactos sociais e econômicos
Produtores familiares enfrentam mudanças na estrutura fundiária, com riscos de êxodo rural. Muitos migram para cidades em busca de novas oportunidades, alterando o perfil do interior paulista. Economistas e pesquisadores destacam esses desafios.
Há um risco de êxodo rural, com produtores menores migrando para cidades em busca de novas oportunidades. — Celso Albano
Desafios ambientais e sociais
Com a agenda ESG ganhando força, as usinas precisam equilibrar crescimento com responsabilidade ambiental e social. A expansão via arrendamentos exige atenção a impactos locais, garantindo sustentabilidade. Especialistas enfatizam a importância desse equilíbrio.
Com a agenda ESG ganhando força, as usinas precisam equilibrar crescimento com responsabilidade ambiental e social. — Vlamir Brandalizze
Perspectivas futuras
A tendência de arrendamentos deve persistir, impulsionada pela bioeconomia. Analistas como Vlamir Brandalizze e Celso Albano preveem ajustes no setor, com foco em inovação e inclusão de produtores menores. O interior de São Paulo continua como polo chave para a cana-de-açúcar no Brasil.