Aumento da oferta, queda do dólar e avanço da colheita impactam o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, segundo dados do Cepea
Milho registra forte queda de preços no Brasil
O mercado de milho no Brasil enfrenta um cenário de desvalorização em abril de 2026, refletindo o aumento da oferta e a postura mais cautelosa dos compradores. De acordo com o Cepea, os preços do cereal registraram quedas intensas na última semana, consolidando um movimento de baixa no mercado spot.
Na parcial do mês, até 16 de abril, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) acumulou retração de 4,8%, retornando aos níveis observados em janeiro. O cenário reforça a pressão sobre os produtores, especialmente em regiões estratégicas do agronegócio, como o Oeste da Bahia, importante polo agrícola nacional.
Oferta elevada e câmbio pressionam cotações
O avanço da colheita da safra de verão tem ampliado a disponibilidade de milho no mercado interno, fator que contribui diretamente para a queda dos preços. Ao mesmo tempo, a valorização do real frente ao dólar reduz a competitividade das exportações brasileiras, impactando a paridade internacional do cereal.
Esse ambiente leva compradores a atuarem com maior cautela, realizando aquisições pontuais apenas quando há necessidade de recomposição de estoques ou quando encontram preços mais atrativos.
Comportamento do mercado segue travado
Mesmo com a flexibilização de parte dos vendedores, o mercado ainda enfrenta dificuldades na negociação de grandes volumes. A expectativa em relação à segunda safra também influencia o comportamento dos agentes, especialmente diante de condições climáticas mais favoráveis para o desenvolvimento das lavouras.
Esse cenário reforça a tendência de um mercado mais lento, com negociações estratégicas e menor liquidez no curto prazo.
Impactos para o agronegócio da Bahia e do Brasil
Para o agronegócio da Bahia e do Brasil, a queda nos preços do milho pode trazer impactos diretos na rentabilidade dos produtores, principalmente aqueles com custos mais elevados. Por outro lado, setores consumidores, como a pecuária e a indústria de ração, tendem a se beneficiar com a redução nos custos de insumos.
O movimento também acende um alerta para o planejamento da comercialização da safra, exigindo maior atenção às variáveis cambiais e ao cenário global de oferta e demanda.