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domingo , 18 outubro 2026
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Açúcar dispara nas bolsas internacionais e mercado teme déficit global na safra 2026/27

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Projeções de oferta apertada, custos elevados de produção e riscos climáticos impulsionam cotações do açúcar em Nova Iorque e Londres

As cotações internacionais do açúcar encerraram esta quarta-feira em forte alta nas bolsas de Nova Iorque e Londres, refletindo a crescente preocupação do mercado com um possível déficit global da commodity na safra 2026/27. O movimento elevou os preços aos maiores níveis da última semana e reforçou a atenção dos investidores para o cenário de oferta mundial.

Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto fechou com valorização de 37 pontos, cotado a 15,38 cents de dólar por libra-peso. Já em Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou o pregão a US$ 455,40 por tonelada, avanço expressivo diante da expectativa de menor disponibilidade global do produto.

StoneX projeta déficit após dois anos de superávit

O principal fator de sustentação do mercado foi a divulgação da primeira estimativa da consultoria StoneX para a safra mundial 2026/27. Segundo a empresa, o ciclo deverá registrar déficit aproximado de 550 mil toneladas de açúcar, revertendo o cenário de superávit observado nos dois anos anteriores.

De acordo com Marcelo Di Bonifácio Filho, analista da consultoria, a mudança no balanço global reflete uma combinação de fatores como riscos climáticos, redução de área plantada em importantes regiões produtoras e alterações no fluxo internacional do comércio da commodity.

Mesmo com a expectativa de crescimento da produção brasileira, as perdas registradas em outros grandes exportadores têm elevado a preocupação do mercado. O Brasil segue como principal fornecedor global de açúcar e desempenha papel decisivo na formação dos preços internacionais.

Custos agrícolas pressionam produtores

Outro fator que contribuiu para a alta das cotações foi o avanço dos custos de produção nos principais países exportadores. Segundo a consultoria Datagro, os preços mais elevados de fertilizantes e diesel vêm pressionando especialmente o setor sucroenergético brasileiro.

O analista-chefe da Datagro, Plínio Nastari, afirmou que o custo médio de produção do açúcar brasileiro já alcança 18,63 cents de dólar por libra-peso — valor superior às atuais cotações do açúcar bruto negociado em Nova Iorque.

O aumento dos custos reduz margens da indústria e reforça a necessidade de preços mais altos para equilibrar a rentabilidade do setor, cenário que acaba dando suporte adicional às bolsas internacionais.

Clima e demanda seguem no radar do mercado

Além das projeções de déficit, o mercado internacional continua monitorando os impactos climáticos ligados ao fenômeno El Niño, que pode afetar importantes regiões produtoras ao longo do segundo semestre.

No Brasil, principal potência do setor sucroenergético mundial, produtores acompanham de perto as condições climáticas no Centro-Sul, região responsável pela maior parte da produção nacional de açúcar e etanol.

A evolução da demanda global, especialmente na Ásia e no Oriente Médio, também segue no radar dos investidores e pode influenciar o comportamento das cotações nos próximos meses.

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