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sexta-feira , 6 março 2026
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EUA e Brasil: Laços Indissolúveis no Mercado do Café

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Os Estados Unidos enfrentarão grandes desafios para substituir o café arábica brasileiro, que representa um terço do abastecimento do mercado americano. Por outro lado, o Brasil também encontrará dificuldades para redirecionar suas exportações de café. Essa é a opinião de Simão Pedro de Lima, presidente da cooperativa mineira Expocacer, uma das principais do setor no país. Localizada no Cerrado Mineiro, a cooperativa reúne 745 produtores, dos quais 45% são pequenos, produzindo até 2 mil sacas por safra, e exporta para 35 países, com escritórios nos EUA, Reino Unido, Coreia do Sul e Espanha.

Para Lima, a forte interligação entre os dois países no mercado do café sugere a necessidade de um diálogo construtivo para evitar impactos negativos. Ele sugere, de forma humorada, que as conversas deveriam ser à maneira mineira: “tomando um cafezinho, comendo um pão de queijo e conversando”. Lima defende um “diálogo não ideológico” para avançar nas negociações diplomáticas e, se possível, isentar o café da sobretaxa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Caso contrário, ambos os países sofrerão consequências: nos EUA, com a compressão das margens na indústria de torrefação e aumento de preços no varejo; no Brasil, com a queda dos prêmios ao produtor e a necessidade de encontrar novos mercados para mais de 8 milhões de sacas.

Lima acredita que desatar os laços entre os mercados de café dos dois países no curto prazo é inviável. Ele explica que substituir o café brasileiro não é simples devido às características únicas do produto, como corpo, doçura e estrutura para blends. Os cafés arábicas de outras regiões, como América Central, Colômbia, Indonésia e África, têm suas qualidades, mas já possuem destinos estabelecidos. A tarifa sobre o café importado afetará diretamente os importadores americanos, que repassarão o custo, resultando em aumento de preços. Para o Brasil, encontrar novos compradores não é rápido, mesmo com mercados potenciais como a China e a União Europeia ainda em desenvolvimento no consumo de café.

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