No Brasil, os preços do feijão-carioca registraram um aumento de 7,5% na parcial de abril de 2026, até o dia 12, enquanto o feijão-preto subiu 3,2%. Esse movimento é atribuído à oferta restrita no mercado interno, conforme análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP. Produtores, empacotadores e compradores estão lidando com desafios que impactam a disponibilidade do produto.
Fatores que impulsionam a alta
A retenção de vendas por produtores capitalizados é um dos principais motivos para a menor disponibilidade de feijão. Esses produtores optam por segurar o estoque, aguardando condições mais favoráveis no mercado. Além disso, a colheita da terceira safra avança de forma lenta devido ao clima seco, o que restringe ainda mais a oferta.
Dinâmica da demanda e migração de compradores
A demanda aquecida pelo feijão-carioca tem levado compradores a migrarem para o feijão-preto como alternativa. Essa mudança contribui para a pressão sobre os preços do feijão-preto, que, embora menor, ainda reflete o desequilíbrio entre oferta e procura. O Cepea destaca que essa migração é uma resposta direta à escassez do tipo carioca.
Regiões produtoras afetadas
As regiões de Goiás, Minas Gerais e Paraná, principais polos produtores de feijão no Brasil, sentem os impactos dessa oferta restrita. Em Goiás e Minas Gerais, o clima seco tem atrasado as colheitas, enquanto no Paraná, produtores também adotam estratégias de retenção. Esses fatores regionais agravam a situação no mercado nacional.
Influência do câmbio e exportações
O real desvalorizado tem favorecido as exportações de feijão para a Argentina, reduzindo a disponibilidade interna. Essa dinâmica externa contribui para a oferta restrita e, consequentemente, para a alta nos preços. O Cepea observa que as exportações aquecidas são um elemento chave nesse cenário de abril de 2026.
Implicações para o mercado interno
Com a oferta limitada e a demanda em alta, empacotadores e compradores enfrentam dificuldades para suprir o mercado. Produtores capitalizados mantêm o controle sobre as vendas, o que pode prolongar a tendência de preços elevados. O Cepea continua monitorando esses indicadores para avaliar evoluções futuras.
Contexto econômico mais amplo
Essa alta nos preços do feijão reflete desafios mais amplos no setor agrícola brasileiro em 2026. Fatores climáticos e econômicos, como o câmbio, influenciam diretamente commodities essenciais. Consumidores e agentes do mercado devem se adaptar a essas variações para mitigar impactos no custo de vida.