Problemas fitossanitários e queda na produtividade impactam mercado; expectativa para maio é de oferta controlada e envios modestos
O mercado de uvas sem semente no Vale do São Francisco (BA/PE) continua enfrentando oscilações, refletindo os impactos das chuvas registradas no primeiro trimestre de 2026. De acordo com dados do Hortifrúti/Cepea, a combinação entre perdas produtivas e comprometimento da qualidade tem dificultado o escoamento da produção, especialmente das variedades mais sensíveis.
Chuvas reduzem produtividade e afetam qualidade
Mesmo com a redução na frequência das precipitações, ainda há registros de chuvas na região, o que segue impactando o desenvolvimento das lavouras. Produtores relatam perdas de até 20% na produtividade, principalmente devido a danos nas floradas ocorridos nos meses anteriores.
Esse cenário mantém a oferta controlada, mas não é suficiente para sustentar os preços, já que a qualidade dos frutos continua sendo um fator limitante nas negociações.
BRS Vitória enfrenta resistência do mercado
A variedade BRS Vitória tem apresentado picos pontuais de oferta, porém com qualidade abaixo do esperado. As bagas comprometidas têm gerado resistência por parte dos compradores, que evitam pagar preços mais elevados diante da irregularidade dos lotes.
Na semana analisada, a uva BRS Vitória embalada categoria 1 foi comercializada a uma média de R$ 9,40/kg, registrando queda de 4,1% em relação à semana anterior.
Uvas brancas sustentam melhor os preços
Por outro lado, as variedades brancas sem semente apresentam maior firmeza nas cotações. Mesmo com problemas fitossanitários, como fumagina e glomerella, além de desafios no manejo que têm afetado o sabor e aumentado a acidez, esses produtos mantêm preços mais estáveis.
A menor elasticidade de preços desse segmento e a continuidade das exportações ajudam a sustentar o mercado. Na semana, a média foi de R$ 15,00/kg, com leve recuo de 1%.
Exportações e consumo interno influenciam cenário
Parte relevante da produção segue destinada ao mercado externo, o que contribui para reduzir a oferta no mercado interno. No entanto, o período de fim de mês, tradicionalmente marcado por menor consumo, aliado ao feriado prolongado, pressionou as cotações para baixo.
Esse conjunto de fatores evidencia um mercado ainda sensível tanto à qualidade quanto ao comportamento da demanda.
Perspectivas para maio no agronegócio da Bahia
Para maio, a previsão de tempo seco, segundo a Climatempo, deve favorecer a intensificação do manejo fitossanitário nas lavouras. Ainda assim, a expectativa é de manutenção de volumes controlados e envios modestos ao exterior.
Esse cenário pode resultar em aumento pontual da oferta no mercado interno, exigindo atenção dos produtores do agronegócio da Bahia e do Nordeste quanto à estratégia de comercialização e qualidade da produção.