O Brasil está prestes a colher uma safra recorde de grãos estimada em 353,4 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26, mas enfrenta um déficit de armazenagem superior a 37%, com a capacidade estática cobrindo apenas 62% da produção, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Safra recorde impulsiona economia agrícola
A produção agrícola no Brasil continua a crescer de forma acelerada, impulsionada por avanços tecnológicos e a expansão de novas fronteiras agrícolas. Para a safra 2025/26, a estimativa de 353,4 milhões de toneladas representa um marco histórico, beneficiando principalmente produtores rurais nos estados de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Bahia. Esse aumento reflete o dinamismo do setor, que tem superado expectativas ano após ano.
No entanto, o ritmo de expansão da produção não é acompanhado pela infraestrutura necessária. A capacidade de armazenagem estagnou entre 2025 e 2026, resultando em um déficit de 131,6 milhões de toneladas. Essa discrepância afeta diretamente a eficiência do armazenamento e a comercialização dos grãos.
Déficits regionais e impactos no centro-oeste
Os maiores déficits de armazenagem são observados no Centro-Oeste e na região do Matopiba, onde a produção é mais intensa. Nessas áreas, a falta de silos e armazéns adequados força os produtores a recorrerem a soluções improvisadas, como o armazenamento a céu aberto, o que pode comprometer a qualidade dos grãos. Produtores rurais nessas regiões são os mais afetados, enfrentando perdas potenciais e custos adicionais.
A Conab e a CNA destacam que a capacidade estática atual cobre apenas 62% da produção projetada. Esse cenário revela uma vulnerabilidade estrutural no agronegócio brasileiro, especialmente em estados como Mato Grosso e Goiás, onde a safra recorde de grãos amplifica o problema.
Causas do descompasso entre produção e infraestrutura
O descompasso surge da expansão rápida da produção agrícola, que não é matched pelo crescimento da infraestrutura de armazenagem. Altos custos de construção, variando entre R$ 10 milhões e R$ 25 milhões por armazém, combinados com juros elevados e linhas de crédito pouco atrativas, desestimulam investimentos. Além disso, o payback de longo prazo torna os projetos menos viáveis para muitos produtores.
Especialistas apontam que, sem intervenções, o déficit de armazenagem pode persistir, impactando a competitividade do Brasil no mercado global de grãos. A estagnação da capacidade em 2026 agrava a situação, demandando ações urgentes para equilibrar o setor.
Perspectivas para o futuro do agronegócio
Para mitigar esses desafios, é essencial que políticas públicas incentivem a ampliação da infraestrutura de armazenagem. A safra 2025/26, embora recorde, serve como alerta para a necessidade de investimentos estratégicos. Produtores e entidades como a CNA e a Conab defendem medidas que tornem o financiamento mais acessível, visando um agronegócio mais resiliente e sustentável no Brasil.